
Quando entrei na sala ela me pediu pra que eu me sentasse no sofá.
E olhava pra mim como se tivesse algo importante pra me dizer:
Ludmilla: _ Idiota! É isso que você é. Um tremendo idiota. De onde você tirou essa idéia absurda?
Duda: _ Do que você está falando?
Ludmilla: _ O Duke me contou tudo. Você é maluco, é? Não passou pela sua cabeça que tudo isso era uma burrice?
Duda: _ Na verdade, não. Mas deu certo. E isso é o que importa.
Ludmilla: _ Ah, sim, a marca dos socos que você levou provam isso. Acorda Duda, Vocês se meteram numa tremenda fria.
Duda: _ Mas do que você está flando? O que pode acontecer? Deu tudo certo, agora a gente vai poder comprar o carro que o Duke tanto queria.
Ludmilla: _ E você acha que o Chris vai deixar isso barato? Ele nunca vai esquecer isso, porque ele nunca perde pra ninguém. Isso pode se tornar um pesadelo se ele cismar de ferrar você. E pensar que vocês fizeram tudo isso por dinheiro e gozação.
Duda: _ Não tem nada ver com isso.
Ludmilla: _ Mas vocês mesmo disseram que era pra comprar o carro.
Duda: _ Mas não foi só por isso. Eu precisava resolver uma coisa que estava atordoando minha cabeça. E essa foi a única forma de fazer isso.
Ludmilla: _ E o que era isso?
Duda: _ Precisava descobrir o que é isso que estou passando. E agora sei que realmente estou disposto.
Ludmilla: _ Disposto à que?
Duda: _ À fazer qualquer coisa pra estar com você. E agora eu sei que de algum modo estou ligado à você. E não sei se você se sente bem com isso, mas se não tiver eu vou entender. Quanto ao que aconteceu ontem, me desculpe. Eu não queria meter você em problema algum.
Ludmilla: _ Calma. Você está me deixando tonta. Quer dizer que você está me dizendo que fez tudo isso pra ficar perto de mim? E que não sabe se vou me sentir bem com isso?
Duda: _ É.
Ludmilla: _ E você apanhou por minha causa?
Duda: _ A parte de apanhar eu não estava esperando, até porque eu não achei que os dois ursinhos de pelúcia, amigos do seu namorado iriam me surrar. Mas tudo isso fez parte do pacote, né.
Ludmilla: _ Você é louco! _
Logo depois disso ela pulou em cima de mim e me beijou, mas de um jeito muito mais puro e sereno que da outra vez que nos beijamos.
E foi o momento mais sublime da minha vida até então. Era a melhor coisa que podia me acontecer.
Nunca achei que viveria algo tão explêndido.
Nos beijamos por mutio tempo... E nos amamos pela primeira vez.
A primeira vez que nossos corpos e sentimentos se completaram e nos fizeram sorrir de maneira singela pura.
O tempo, nosso aliado, se encarregou de passar bem devagar e assim nós pudemos desfrutar de todo o carinho que tínhamos a oferecer um ao outro.
E quando já estávamos exaustos, adormecemos...
Como se anjos nos fizessem dormir.
Quando acordei ela já estava acordada, e acariciava meu rosto. E me olhava, com aqueles olhos ( ah, aqueles olhos...).
E o só o que fiz foi sorrir...
Então o Duke chegou e não nos viu na sala. E logo sacou tudo. Pouco depois ele nos chamou, até à sala, como se estivésse sem jeito de ir até seu próprio quarto.
Duke: _ Ei cara, você tá melhor?
Duda: _ Estou sim. Ela cuidou de mim. _
Quando eu disse isso ela sorriu, vermelha de vergonha. Mas respondeu logo em seguida:
Ludmilla: _ Pode ir se acostumando Duke, porque agora você tem alguém pra te ajudar a cuidar desse maluquinho. Não vou largar ele solto por aí não.
Duke: _ Nossa! Aconteceu muita coisa enquanto eu estive fora né, mas podem me polpar dos detalhes, tá bom.
Duda: _ Está bem, mas vamos falar de outra coisa, porque eu já estou ficando sem jeito. Duke, quanto a gente tem pra comprar o carro?
Duke: _ Somando a grana que a gente ganhou ontem com a grana que a gente já tinha antes, mas uns trocados que eu tinha guardado. Deixe eu ver... acho que mais ou menos 4.897 dólares.
Ludmilla: _ E isso é o suficiente?
Duda: _ Olha, não dá pra comprar um Porshe, mas dá pra comprar um bom carro.
Duke: _ E quando a gente vai fazer isso?
Duda: _ Hoje não dá, porque não estou afim de sair desse sofá pra lugar algum, a não ser pra minha cama. E além do mais, hoje eu ainda tenho que pensar num jeito de impedir que meu pai me mate. Porque dormir fora de casa ele pode entender, mas dormir fora e aparcer com o olho roxo em casa vai ser demais pra ele.
Ludmilla: _ É, vocês têm mesmo muitas coisas pra resolver, mas eu tenho que ir embora. Depois vocês me contam as novidades. E você, Duda, levanta daí que eu vou te levar em casa.
Duda: _ O que? Você vai me levar em casa como?
Ludmilla: _ No Torrnado. Eu te levo e deixo você e "ele" lá. Eu chamo um táxi e vou pra casa.
Duda: _ Me desculpa, mas você não pode dirigir o Tornado. Só pode fazer isso quando entender o que ele representa.
Ludmilla: _ Deixa de bobeira...
Duke: _ Não insiste, é sério, você não pode dirigir ele. Pelo menos ainda não.
Ludmilla: _ Tudo bem, vocês são loucos mesmo. Deixa isso pra lá. Então eu vou ligar pra pedir um táxi daqui mesmo.
Duda: _ Mas antes, preciso falar com você.
Duke: _ Tudo bem, já entendi. Vou deixar vocês sozinhos, mas se comportem heim.
Ludmilla: _ Obrigado Duke.
Duda: _ A gente precisa conversar, mas não pode ser aqui. tem muita cisa que eu quero te dizer, mas esse não é o momento.
Ludmilla: _ Eu sei, mas eu quero saber se o que houve aqui hoje, foi só um momento?
Duda: _ Sim, foi um momento. Um momento inesquecível. E que eu espero que se repita muitas vezes.
Ludmilla: _ Eu não sei o que está rolando entre a gente, mas eu sei que é maior do que tudo que eu já vi.
Duda: _ Eu sinto a mesma coisa. Mas quero que você se cuide, porque não confio no seu namorado.
Fomos até à varanda e lá ela me fez uma confissão:
Ludmilla: _ Não sei se você sabe, mas eu não tenho mais namorado, porque tem um cara de quem eu estou afim, mas eu não sei o que ele acha disso._
Foi aí que eu a beijei. E em seguida nos olhamos...
Duda: _ Esse cara de quem você está afim, acha que tudo isso é um sonho que ele não quer acabe nunca. _
Ela passou a mão no meu rosto e beijou seus dedos e então tocou meus lábios.
Nos despedimos e ela logo entrou no táxi.
Então o mundo tornou à girar e as horas agora já passavam normalmente.
Quando entrei, o Duke sorriu pra mim e me disse que nunca havia me visto tão feliz.
E o que eu vou fazer é guardar a lembrança desse dia pra sempre na minha memória, num relicário dentro do meu coração.
Esse sou eu, Duda
Eduardo Klein
Na Estrada
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