Na estrada

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domingo, 4 de novembro de 2007

Episódio 7 - Caminhos - (Bill)


BILL



23/03/1998



Quando alguém cruza seu caminho, pode fazê-lo de duas formas:
Uma amigável e sem atritos. Ou o oposto.
Dilaceradamente. De modo que ambas as estradas ficam abaladas.
E todos os caminhos ficam extremecidos.
Com o Chris foi assim.
Nos odiamos porque simplesmente existimos. E pelo fato que de que nossa existência perturbe tanto um ao outro.
Mas pelos últimos acontecimentos, parece que eu é que devo dar a próxima cartada. Que nem precisa ser de mestre...
Quando alguém cruza seu caminho, pode fazê-lo de duas formas, mas em todas elas, não importa como essa pessoa venha a agir, todas elas têm consequências.
É chegada a hora.
Encontro ele em frente ao Iron Spears, e ele sorri quando me vê.
Mas dessa vez ele pode sorrir o quanto quiser, porque não importa.

Chris: _ O que você quer? Não acha que já apanhou o suficiente? _

Ele me perguntou isso com um ar muito seguro. E cheio de confiança. Mas até a confiança estava prestes a deixá-lo.
Caminhei devagar até chegar perto dele e sorri de volta.

Duda: _ Acha mesmo isso? Acha que me bateu e que eu fui correndo pra casa, indefeso? Legal. Será que você está achando que eu vim até aqui implorar pra você não me bater mais?

Chris: _ Pode ser que sim. Eu sempre achei que você fosse mesmo só um franguinho. _

Nesse instante um dos amigos dele estava se preparando pra se levantar mas eu tirei então uma carta da manga.
Subi num carro estacionado na frente do bar e mandei ver:

Duda: _ Atenção!!!! Atenção!!! Todos vocês, me dêem um minuto da atenção de vocês. Por favor.

Chris: _ O que você está fazendo cara? Quer aparecer?

Duda: _ Calma garotão. Ei bebê gigante, você mesmo aí, de jaqueta azul. Qual é o seu nome? _
E ele respondeu: _ É Burke. Por que? _

Duda: _ Então vamos aproveitar essa noite pra que todos nós possamos nos conhecer melhor. Meu nome é Eduardo Klein, mas podem me chamar de Duda. e não precisam ficar zangados comigo porque eu nnão estou afim de atrapalhar a noite de vocês. Eu só quero a ajuda de vocês em uma questão que está martelando minha cabeça. _

Nesse instante todos me olhavam, fixamente. Curiosos por saber o que eu queria afinal. E logo todos souberam. Mas o Chris não gostou nadinha disso.
Duda: _ Vou perguntar a vocês então. Por duas vezes o excelentíssimo Chris Roman e seu amigo Burke, acompanhados por outro bebê gigante que não nos alegra com sua presença hoje, me bateram. Se juntaram e me deram uma surra das boas. Mas a pergunta que ronda meus pensamentos todas as noites é que eu sei posso bater em cada um deles. Um a um. Então será que algum de vocês acha que eu seria capaz disso?

Chris: _ Isso é mentira pessoal. Não preciso de ninguém pra bater nesse franguinho. Isso é mentira. _

O mais legal é que quando ele acabou de falar isso um cara lá no meio das pesssoas disse assim. Então mostra pra gente. E logo todos diziam o mesmo.

" É. SE VOCÊ É TÃO FORTÃO ASSIM, MOSTRA PRA GENTE QUE VOCÊ PODE COM ELE. FAZ ELE ENGOLIR O QUE TÁ DIZENDO. "

E eu embarquei nessa também.

Duda: _ Vamos lá rapaz. Mostra o que você sabe fazer. Estou ansioso por isso. Eu encaro qualquer um de vocês dois. Mas se você tiver coragem, é claro. _

E ele logo partiu pra cima de mim e recebeu logo um soco que derrubou ele no chão, mas ele se levantou e veio novamente pra cima. E novamente ele foi ao chão. Mas dessa vez foi bem mais divertido porque eu vi nos olhos dele que ele estava furioso e envergonhado.
E isso pra mim já era a glória, mas então nosso amiguinho, bebê gigante, tentou salvar a honra de seu parceiro e foi ao chão ao lado dele, com um belo soco na ponta do queixo e uma bela torção de braço.
Então o cara que tava no meio da galera " botando lenha na foqueira ", veio até mim. Era o Duke. (risos)
E eu agradeci a todos. Formalmente:

Duda: _ Obrigado pela participação de todos vocês aqui hoje, e pela atenção que
me deram. E por me ajudarem a esclarecer essa dúvida que atormentava a minha vida. Um abraço e até a próxima. E quanto à você, garotinho da mamãe, nos vemos nos Desafio das Ruas. Espero você na linha de largada. _

E fui embora, com um problema sorrindo, como se nada pudésse interferir no meu caminho naquele momento. Mas era mentira. por que o principal motivo pra bater nele não tinha nada a ver com a surra que eu levei dele no outro dia. Mas sim o que ele tomou de mim.. o meu sorriso.
Cheguei em casa e minh mãe me disse que a Ludmilla tinha ligado. Seis vezes. E pediu que eu retornasse, mas não vou fazer isso. E não sei nem o por quê.
Talvez eu devêsse ouví-la. E deixar que ela me contasse o que está havendo. Mas não sei se sou assim tão superior.
O que sei é que preciso deixar que isso passe... porque vai passar um dia.
Dormi pensando em tudo que estava acontecendo na minha vida.
Meu pai ainda me evita. Minha mãe fica tentando segurar a onda entre a gente. Mas sempre tem algo que dá errado.

Porque quando alguém cruza o seu caminho, pode fazê-lo de forma serena ou extremamente perturbado.
Com o Bill foi assim. E tudo ao redor ficou extremecido. E acelerado.
Ele me ligou as 11 horas da noite e me disse pra encontrá-lo num posto de gasolina perto da estrada onde nos conhecemos.
E me assutou um pouco.

Bill: _ Venha logo garoto. Preciso muito da sua ajuda. Espero que você seja mesmo tão bom quanto eu acho que você é. Não posso perder a única coisa boa que eu tenho. _

E então tirei o carro da garagem empurrado, pra não fazer barulho. E sai pelas estradas, acelerando tanto quanto era possível.
Porque não um modo de saber o que a vida reserva pra você, mas é certo que só há um modo de descobrir. É dar cara pra bater e ver o que acontece...

Esse sou eu, Duda

Eduardo Klein

Na Estrada

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