Na estrada

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sábado, 22 de setembro de 2007

Na Estrada - episódio 2 - Ludmilla


10/02/1998 - Chicago

Eu tinha 15 anos e o Duke 16. Estudavámos na mesma escola, na sala 802.
Desde a infância, deixamos de ser apenas amigos para sermos irmãos. Uma verdadeira dupla.
Nessa época, meu pai trabalhava na oficina de uma multinacional. Ele tinha dois carros.
Um deles era um Corvett 98, que ele tinha acabado de comprar.
O outro era um Maverick 73 abandonado na garagem dos fundos há mais de 5 anos.
Quando eu aprendi a dirigir meu pai me disse que iria reformar o Maverick pra mim.
No mesmo dia ele pôs o carro pra funcionar apenas ver como estava. Um mês depois eu já estava dirigindo muito bem. Meu pai dizia que eu tinha um dom...
Mas pro Duke e eu o que importava mesmo era a velocidade e a adrenalina que levava a gente à loucura quando eu levava o "Tornado" ( era assim que chamávamos o carro . rsrsrsrs ) à 120, 140km/h.
Pouco tempo depois minha vida era aquele carro. Mas eu não assumia isso.
E meu pai nem entendia porque essa fascinação toda por aquele carro, que ainda nem estava reformado. Faltava dar um belo trato na pintura e umas outras coisinhas. Mas era impressionante como ele andava.
Um dia o Duke foi lá em casa me chamar pra uma festa na casa do Boo, um amigo nosso da escola.
Mas o que o alegrava tanto não era a festa.
Quando já estávamos na festa há bastante tempo, lá pelas 11 da noite, o Duke me chamou lá fora. Quando cheguei lá haviam muitos caras com seus carros e também muitas garotas.
Mais a frente, perto do portão dos fundos da casa do Boo, haviam três carros um ao lado do outro. O Duke olhou pra mim e disse:
_ É a sua deixa cara. É hora de você mostrar o que sabe. _
Eu logo entendi, mas não gostei da idéia:
_ Nem pensar, meu pai me mata se eu fizer isso. E le pode até tirar o Tornado de mim.
Foi então que ele apelou:
_ Que nada cara, você sabe que nasceu pra isso. Ninguém aqui dirgi como você. Além do mais vai rolar uma aposta e com a grana você pode até acabar a reforma do carro._
O que aconteceu a seguir é que eu coloquei meu carro ao lado dos outros e em seguida largamos.
Era tudo bem simples, ir até a ponte do rio Willis e voltar. O primeiro ficava com a grana e com os aplausos da galera. Mas o que rolou foi bem mais que isso.
Como o Duke havia dito, mesmo com carros modernos, os outros não conseguiam me alcançar.
Mas no caminho de volta, olhei pelo retrovisor e tinha dois carros que não estavam na linha de largada. E aliás eles tinham giroscópio e sirenes.
As viaturas da polícia, estavam atrás de nós e eu não queria ser pego, por outro lado não sabia como fazer pra despistá-los. E de repente eu vi o Chris, o cara que tava correndo com um Ford 93, passar por mim feito um louco e arrebentar a cerca da Fazenda Willis. Então isso me deu uma idéia,
Entrei logo atrás dele e fui em direção ao antigo seleiro da fazenda, contornei o lugar que dava para os fundos da casa do Boo. quando eu já estava pronto pra sair da fazenda e entrar na casa do Boo, eu fiz uma coisa da qual eu sempre vou me lembrar.
É que antes de sair da fazenda eu olhei para o lado e vi o Chris párar o carro e descer correndo. Mas tinha mais alguém dentro do carro: Era uma garota linda.
E a polícia certamente adoraria pôr as mãos em alguém para dar conta dos estragos que ocorreram na fazenda. Aí o machão aqui resolveu voltar pra buscá-la, por algum motivo que eu não sei qual.
Logo que entrou no carro ela disse apenas uma palavra: _Obrigado!_
Passei em pela casa do Boo e peguei o Duke. ELe disse que a polícia apareceu por lá mas não fizeram nenhuma pergunta sequer e logo partiram em direção à ponte.
Saí dali e fui voando para a casa do Duke. Ele desceu e ela desceu também e disse que ía chamar um táxi. Mas eu disse que não.
_ Ei garota, entra no carro. Te levo em casa. seja lá quem você for e onde você more.
Depois de um breve silêncio, então ela disse:
_ Ludmilla._
_ O que?_
_ Meu nome é Ludmilla. E o seu?
_ Meu nome é Duda. E esse é o Duke. E não importa o que você diga, eu não me arrisquei pra te tirar daquele lugar pra deixar você ir embora sem saber se você vai ficar bem. então entra no carro e eu te levo em casa._
_ Tudo bem._ ela respondeu e sorriu.
Eu dei a grana para o Duke guardar ele sorriu antes sussurrar perto de mim:
_Que máquina hein. Cuidado pra você não acelerar demais e fundir o motor._ e saiu rindo e ela ficou rindo também, sem entender nada.
A casa dela ficava há umas oito quadras dali. Era uma casa enorme, mas eu tive que párar longe, a pedido dela mesma.
_Obrigado. Eu não sei porquê você voltou pra me buscar, mas obrigado mesmo assim. Foi muito legal. Enquanto o Chris me deixou pra eu me ferrar, você quase se ferrou pra me salvar._
_ Que nada. Eu só fiz o que eu achei que tinha que fazer, mas nem me pergunte por quê ? E quanto ao Chris, eu não conheço o cara. Só sei que ele deve ser muito louco. Porque deixou um carro de 20 mil dólares pra trás._
_ Ele nem liga. O pai dele tem grana. No fundo as vezes ele é só um playboyzinho metido._
_ É. Mas parece que não é só o pai dele que tem grana né._
_ Ah, eu sei, você tá falando isso por causa da casa né. É, meu pai trabalha pra um laboratório farmacêutico. Ele trabalha e a gente desfruta das sifras que ele acumula. Mas já está tarde e eu vou entrar..._
_Tudo bem. Eu também já vou indo, espero que você se cuide e não pega pesado com o cara. Ele só quis tirar o dele da reta._
_Tudo bem, "senhor Duda". Não vou me preocupar com ele. Mas vou me preocupar com o tempo que você vai levar pra lavar o seu carro Porque ele tá bem sujinho._
_ Eu não queria dizer, mas não é sujeira não. Ele é feio assim mesmo... mas valeu pela preocupação. Até mais._ Então eu me virei pra ir embora e ela me chamou.
_ Ei, Duda, você não pode ir embora sem deixar eu te dar um abraço. Vou me sentir mal se não fizer isso._ falou enquanto se aproximava devagar.
Feito um bobo eu respondi: _ Tudo bem._
Mas depois do abraço, a gente se olhou e ela me beijou.... e eu retribui.
_ O abraço é por você ter me salvado. E o beijo é pra você não esquecer que agora tem alguém que se importa com você também. Seja lá quem você for ou onde você more. ( risos )_
Tudo estava perfeito, até que uma viatura passou com o Chris no banco de trás e ele nos viu juntos. A polícia não viu meu carro porque ele estava parado atrás de outro carro e isso deve ter encoberto a visão deles. Mas o Chris nos viu. Nos viu muito bem.
Logo depois eu fui embora. Sem entender direito o que estava acontecendo.
Esse sou eu, Duda
Eduardo Klein
Na Estrada...

Um comentário:

Anônimo disse...

Cara eu nem sei o que escrever !
Simplesmente PERFEITO !!!!!!
O Tornado ficou incrivel !!!
Em tdos os detalhes.
E a conversa da Ludimilla com a Clara, foi impressionante. Imaginei outra reação das duas.
Eu ate imaginava que esse era msm o motivo da Ludi ter feito o que fez. E estou mtu curiosa pra saber o que o Duda vai fazer agora que sabe da verdade. E preciso dizer que amei a musica ! Tdu a ver (msm eu nom sabendo o que significa. RsRsRsRsRs !) !

Ah e eu nom podia esquecer de dizer que o que eu mais gostei foi o texto que tem no final de tdo episodio. E sem duvida INCRIVEL e PERFEITO ! Eu ate me emocionei lendo. Mais ve se nom espalha ! RsRsRsRsRsRsRsRs !

ANCIOSA POR MAIS !
BJUX ! PARA O MEU ESCRITOR PREFERIDO ! E QUERO UMA DEDICATORIA ESPECIAL NO LIVRO ! KKKK !