Na estrada

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Episódio 20 - Os tristes dizem que os ventos sussurram. Mas os alegres acham que eles cantam.

Episódio 20 – Os tristes dizem que os ventos sussurram.
Os alegres acham que eles cantam.

Quase sempre o que começa errado, termina errado. Por isso certas coisas não dão certo, não se concretizam.

Ludmilla Connors – (ao telefone)

Ludmilla:_ Onde você está, Helen?
Helen:_ Estou ao lado do Kingdom Burgers. Daqui a pouco a gente se encontra. Vou levar o carro pro Box.
Ludmilla: _ Ok. Você falou alguma coisa com o Duke?
Helen: _ Não. Ainda não. Espero não ter que falar até que tudo esteja feito. E você viu o Duda?
Ludmilla: _Também não. O Chris e ele correrão ao mesmo tempo. Eu jurei que estaria aqui e que veria a largada do Chris. Quanto ao Duda... não sei o que fazer.
Helen: _ tudo bem. Nos vemos daqui a pouco. Vamos combinar o melhor momento pra levar você. Que tal amanhã?
Ludmilla: _ Não. Preciso que me tire daqui no último dia. No dia da final.
Helen: _ Tudo bem. Até mais. _

Ela desligou o telefone quando chegava ao portão 8. Então ela viu que estava sendo aguardada. _

Chris: _ Olá. Bela corrida. Você pilota muito bem.
Helen: _ Corta o papo furado. O que você quer? Quem são esses aí com você?
Chris: _ Relaxe! Meus amigos e vieram te buscar pra uma festinha que meu pai preparou.
Helen: _ Não estou interessada.
Chris: _ Não faz diferença. _ Peguem ela._
Os homens jogaram Helen dentro do carro de um deles. Chris faz uma pergunta que ela não gostaria de responder.

Chris: _ Ei, Helen, me diga onde ela está?
Helen: _ Sabe que não vou te dizer...
Chris: _ E você sabe que mais uma vez, não faz diferença alguma a sua opnião. De um modo ou de outro ela virá a mim._

Os homens levam Helen para um galpão de uma das empresas de Natan Roman. Enquanto isso ele e seu filho conversam pelo telefone.

Chris: _ Está feito. Agora vou buscar a minha gata. A helen está no galpão. Vou buscar a Ludmilla. O Sr. quer vê-la, não é?
Natan: _ Isso mesmo. No momento certo Bill Pierce e aquele moleque, o Duke, serão avisados sobre a Helen. E quanto a Ludmilla, lembre-se: Quero ela aqui. Agora mesmo. Ela precisa ver tudo isso. Estou mandando o sinal do celular dela para o GPS do seu carro. Traga essa meninna aqui.
Chris: _ Valeu, pai. Chego em alguns minutos. _

Ele são feito um louco pela estrada. Um comentário que não podia deixar de ser feito, é que aquele Mustang Gt parece mesmo ser bem mais veloz que o Tornado. O ronco do motor assusta e a bela arrancada que aquele carro dá sempre que troca de marcha é fascinante. Poços minutos depois de deixar a saída do autódromo, Chris já está na lanchonete em que Ludmilla estava quando ligou pra Helen. Ele segura o braço dela: _Vem comigo!

Ludmilla: _ O que foi Chris? Você está me machucando.
Chris: _ Desculpa. É que meu pai quer te ver. Você vai assitir à minha vitória hoje. Meu pai faz questão da sua presença.
Ludmilla: _ Está bem, mas solta meu braço. As pessoas estão olhando._

Ele soltou o braço dela e deu-lhe um selinho.
Ela nada fez. Quando chegou no Box da sua equipe, de volta ao autódromo, Chris entregou Ludmilla aos cuidados de seu pai e foi com seu carro em direção à linha de largada.
O desafio das ruas é composto de vários percursos distintos, mas com distâncias iguais. Cada prova é realizada em um percurso. Duke e Helen correram nos percursos 2 e 5. Ethan no percurso 1. Agora Chris correrá no percurso 8. E Duda no 4.
Por acaso do destino, hoje eles correm simultâneamente. O interessante é que Chris faz a largada em direção ao Leste; e Duda ao Oeste.
No entanto, algo fora das pistas tornou esta mais uma disputa entre Duda e Chris. O que foi? A resposta é simples: Ludmilla.
Ela estava na arquibancada, ao lado de Natan Roman que fazia questão de posar pros flashes dos fotógrafos, enquanto a imagem do sorridente empresário, tendo ao lado sua jovem “nora” era vista em todos os telões do autódromo. Aquilo mexeu com os brios da Equipe Twister, como já havia planejado a família Roman.

Bill: _ Olhe lá aquela garota, ferrando a cabeça do Duda de novo. Ao lado daquele verme.
Clara: _ Eu estou vendo isso, mas não acredito. Preciso respirar. Será que ele (Duda) viu isso?
Bill: _ Está em todos os telões daqui. Ele armou tudo isso. E muito bem. Clara, me faça um favor. Ligue pra Helen e peça que venha aqui. Faça o mesmo com os garotos. Duda e Duke. Chegou a hora de pôr as cartas na mesa.
Claro.: _Vou fazer isso agora mesmo.
Bill: _ Shyo, como estão as coisas no carro?
Shyo: _ Perfeito. Tudo certo aqui. Só um pequeno probleminha.
Bill: _ Que probleminha?
Clara: _ Bill, temos um problema sério...
Bill: _ Você também? Espere aí só um minuto. Estou falando com o Shyo...
Clara: _ Bill, tem que ser agora...
Bill: _ Espere um momento, Clara. _ Fale Shyo, qual o problema aí?
Shyo: _ Nosso piloto, está com uma crise de choro. Ele não pára de olhar pra garota no telão. Ele está descontrolado.
Bill: _ O Duke está aí. Deixe eles sozinhos um tempo. É tudo uma grande armação daquele safado do Natan. Mas não posso querer que o garoto entenda. Não deixe que ele saia do carro. Esse moleque tem que correr.
Clara: _ Bill... me escute!
Bill: _ Diga Clara, o que há de errado?
Clara: _ A Helen sumiu. Um dos seguranças do autódromo acabou de encontrar o carro dela no portão lateral daqui do autódromo. O celular estava jogado no chão. Estou com o Havoc na linha. Quer falar com ele?
Bill: _ Meu peito... está doendo...chame o Duke!
Clara: _ Bill... Bill...Bill. Acorde...

Ele cai no chão. Clara chama socorro e Bill é levado pelos para-médicos.
Nesse mesmo momento Duda desce do carro e olha pra arquibancada procurando por ela. Quando ela olhou nos olhos dele e ele logo em seguida olhou nos olhos de Natan Roman. A definição mais próxima do que se passou pela cabeça de nosso herói é que um misto de amor, raiva e tristeza passeavam pelos pensamentos de Duda.
Mas ele voltou ao carro. Apertou a mão do Duke e assegurou: “Vou vencer. Depois vou atrás dela.”
Duke: _ Você acha que é a hora certa?
Duda: _ Sim. Mas do que nunca. Hoje a noite você vai ajudar meu pai. Vou precisar de vocês nisso.
Duke: _ A Clara me “bipou”. Tenho que ir ao Box. Vai lá e arrebenta.
Duda: _ Ok. Vai ser como a gente sempre sonhou._

Vai ser dada a largada. De lá da arquibancada, Ludmilla torce por aquele que aprendeu a amar e não aprendeu a esquecer... porque segundo ela mesma, talvez fosse mais fácil se eles não se amassem tanto.
Os carros estão alinhados. O coração bate acelerado, quase no ritmo dos motores.

(20.1) – Conviccção


A corrida de Chris X A corrida de Duda

Ele colocou o carro na linha de largada e já era possível perceber que aquela corrida estava decidida. O Mustang Gt de Chris é realmente tudo aquilo que Natan Roman disse. É o carro mais veloz que eu já vi. Nunca havia visto um carro como este. Falo isso porque logo que foi dada a largada, era visível a diferença de força e velocidade e robustez daquele motor e daquele conjunto de transmissão e freios precisos. O modo como foi devorando adversário por adversário. Tomando as curvas da cidade de Chicago. O Percurso 8 parece ter sido projetado especialmente pra este Gt e pra seu piloto. Ele não respeita nada e nem ninguém. Como se fosse um ditador, um general em batalha, impôs todos os seus desejos naquele percurso. E não foi difícil perceber, ainda nos primeiros quilômetros de corrida que a disputa já havia terminado. Nos telões, devido à grande diferença entre Chris Roman e seus adversários só temos imagens do líder da prova. As disputas entre os outros corredores não era notada. Nem importante. Por isso vamos pro outro lado de Chicago agora.
Enquanto Chris passeia diante de seus adversários, Duda trava uma batalha intensa consigo mesmo. Embora esteja totalmente focado em vencer a corrida, ele não consegue parar de pensar em toda aquela situação. Ele devia ver na sua frente as curvas e retas do percurso 4, mas por mais que ele se concentre e abra os olhos, tudo que ele vê é o rosto dela. E o sorriso sinistro de Natan Roman ao seu lado. Como se sorrisse ao exibí-la quase como um troféu na batalha pessoal entre os dois lados dessa guerra. Também deve ser dito que os adversários de Duda não têm a menor chance de vencê-lo. Pelo menos nãa hoje. Hoje ele é vitorioso por convicção. Não chegam sequer a ameaçá-lo e ele tlavez nem se lembre de quem eram seus adversários hoje. Hoje ele só vê duas coisas: O inimigo e o seu objetivo. Como se tudo isso fosse mesmo uma grande guerra. E talvez seja mesmo.
A verdade é que tanto Chris quanto Duda não deram oportunidades a seus concorrentes de tornarem estas corridas disputadas. A diferença mecânica e técnica entre eles e os demais é absurda. Talvez não fosse assim em outro dia, mas sim hoje, com todos estes acontecimentos: a felicidade de Chris por ter Ludmilla sob seu domínio; e a ira de Duda que não vê a hora de tirar aquele sorriso do rosto de Natan e, por quê não dizer, de Chris Roman. _
Longe da pista, algo de ruim havia acontecido. E todos estavam envolvidos.

Unidade Médica do Autódromo de Chicago – (UMAC)

Clara: _ Duke, cadê você. Vem pra UMAC agora. O Bill teve um problema. Ele desmaiou e eu trouxe ele pra cá. Ele quer falar com você.
Duke: _ Vou pegar a Helen e irei aí.
Clara: _ Duke, esqueça isso. Venha aqui primeiro. É importante.
Duke: _ Tudo bem. Estou indo.

Minutos depois....

Duke: _ O quê? Não pode ser verdade.
Clara: _ Mas é. Quando eu fiquei sabendo também não acreditei. Eu contei ao Bill e ele apagou. O médico veio nos chamar pra ver o Bill. Vamos lá. Você precisa ouvir da boca dele.
Duke: _ O que será que ele quer comigo.

Eles entram no quarto e Bill está bem, nem parece o homem que a poucos instantes teve uma parada respiratória grave. Ele está lúcido, falante. Uma fisionomia preocupada. Mas ele está bem o bastante pra fazer um pedido à Clara e Duke.
Bill: _ Eu quero que vocês encontrem minha filha, Helen, e tragam ela pra mim. Natan Roman está metido nisso. Voltem à pista e mandem o Shyo aqui. Eu quero vocês dois grudados do Duda quando ele sair do carro. Levem os seguranças do Box com vocês. Diga ao Havoc que venha aqui também. Agora vão embora. Daqui há 3 horas estarei no escritório. Até mais tarde. Quero todos vocês lá. E não quero ouvir perguntas._

Os dois saíram sem dizer uma palavra. Mas Duke estava totalmente abalado. Clara o confortou, mas ele precisava do seu amigo, como nunca antes. Pouco depois disso Duke recebe uma mensagem pelo celular, enviada por Ludmilla: _ Ela Sumiu...Foi o Chris!
Aquilo realmente mexeu com os brios do fiel escudeiro de Duda, mas ele teve clareza de raciocínio suficiente pra por os pensamentos em ordem e ir em direção ao autódromo. Lá, nesse exato momento, algo interessante está prestes a acontecer.
A linha de chegada do percurso 8, onde Chris vem liderando com folga, fica localizada na reta oposta do Autódromo de Chicago. Mais exatamente no km 6 da pista. E a linha de chegada do percurso 4, onde Duda vem acelerando firme, também fica localizada na reta oposta, mais exatamente no km 7 da pista.
Isso significa apenas que Chris vem pelo lado direito a pista e Duda vem do lado esquerdo da pista. Mas a linha de chegada de seus percursos fica uma de frente pra outra. Quando cruzarem a linha e receberem a bandeirada final, eles estarão um de frente pro outro, na mesma reta, separados a pena por alguns metros...
Fica muito fácil saber o que aconteceu. _
Chris: _ Zouk, Vou cruzar a linha de chegada e vou até vocês. Sabe dizer onde aquele otário do Duda está. No mínimo deve estar soando pra ganhar aqueles medíocres que correram com ele.
Zouk: _ Pelo contrário. Ele está tão à frente quanto você. Pelo visto vocês vão acabar a corrida com tempos bem próximos um do outro.
Chris: _ Não tem problema, um dia desses a gente se esbarra numa dessas pistas.
Natan: _ Chris, você está me ouvindo?
Chris: _ Fala pai. Estou ouvindo.
Natan: _ Você não vai precisar esperar tanto. Aquele moleque está no percurso 4. Na sua direção. Quando você completar a corrida, é só ir frente e encontrar aquele insolente.
Chris: _ Entendi. Acho que é hora de ver quem é durão. _

Na Equipe Twister.

Shyo:_ Duda, você está bem a frente. Fica esperto que o Bill vai falar com você. Estou conectando o celular dele com o seu comunicador. Pode falar Bill.
Bill: _ Duda. Você está em primeiro. Pela telemetria, você está a pouco mais de 1 minuto da bandeirada. Seu “amiguinho” está bem do outro lado da cidade, chegando ao autódromo quase simultaneamente com você. No fim da reta você vai ver o carro dele. Ele vai querer provocar você. Você sabe o que pode e o que não pode fazer. Não pode cair no jogo dele. Por isso quando você passar pela próxima curva terá uma longa reta pra pensar no que fazer e vai ver aquele idiota na sua frente, querendo ferrar com a sua cabeça. Tire seu carro da reta assim que você passar pela linha de chegada. Tem uma saída de emergência poucos metros a frente da chegada. Se ele for na sua direção, use essa saída e tire o Tornado daí.
Duda: _ Eu não vou fugir dele, Bill. Não vou.
Bill: _ Não estou pedindo pra você fugir dele. Estou pedindo apenas que você tire seu carro daí.
Duda: _ Desculpe Bill, mas eu não vou fugir dele. Até mais..._

Duda arranca o fone do ouvido e a ligação é encerrada. Do outro lado, Bill fica preocupado. Enquanto Chris faz a curva e aponta na reta.

(20.2) - A chegada!

Eles apontam na reta. Chris está bem mais próximo da chegada. Ele não vê o carro de Duda no final da reta, por isso ele diminui bastante a velocidade e segue lentamente em direção a bandeira quadriculada. Enquanto isso Duda faz a curva e acelera firme ao ver o bem longe, no fim da reta o Gt de Chris se aproximando. Ele acelera e parece já ter seu plano em mente. Eles correm não contra o tempo. Ambos no meio da pista, como cavaleiros antigos que duelavam em seus cavalos. Eles cruzam a linha de chegada e não param de acelerar a torcida fica apreensiva porque percebe o que está havendo. Eles não aceleravam pra vencer a prova e sim pra encontrarem um ao outro.
Chris injeta uma grande quantidade de Nitróxido ( NOS) e o Gt alcança 245km/h enquanto Duda segue acelerando firme... o tempo então passa a correr mais devagar... como se o próprio “Tempo” quisesse ver o desfecho deste embate. O impacto parece inevitável.
A distância diminui... 700m – 600m – 500m – 400m – 300m – 200m – 100m ... é agora. Numa fração de segundos, Chris injeta uma segunda carga de NOS, e ganha mais velocidade, mas antes que acontecesse o choque entre eles o nosso menino prodígio gira o volante do Tornado pra esquerda, puxa o freio de mão e abre a porta do motorista. Com o giro que o carro dá, o Gt de Chris passa ao lado do Tornado de Duda e por uma fração de segundos eles ficam emparelhados, janela com janela, mas a porta do Tornado aberta bate no Gt e Chris perde o controle do carro e bate na mureta de proteção da pista, segue reto e bate no muro. Sem maiores conseqüências pra ele, mas destrói toda a lataria do Gt.
Nosso herói, Duda, segue a frente e usa a saída de emergência que Bill indicou.
Ele disse que não iria fugir e não fugiu...
Ele está indo pra casa. Precisa desse tempo, pra por os pensamentos em ordem. Será bom pra ele, porque mais do que nunca, ele terá muitas surpresas._
De novo na pista, enquanto Chris sai do carro e vê o estrago que Duda causou, seu pai contra-ataca nas arquibancadas._
Natan: _ Ludmilla, meu motorista levará você pra casa. Amanhã você irá jantar conosco. Falaremos do casamento de vocês dois. Em breve você será Ludmilla Roman.
Ludmilla: _ Eu não vou me casar com o Chris.
Natan: _ Isso nós veremos, menina. Nós veremos. _

Na estrada, Duda acelera. Põe a cabeça pra fora do carro e escuta o vento. Porque ele e o Tornado são um só. E o vento e o Tornado se completam.
Porque os tristes dizem que os ventos sussurram.
Mas os alegres acham que eles cantam...

“Eu disse que não iria fugir... Mas talvez fosse uma boa idéia pra família Roman, começar a pensar em um plano B. Afinal de contas, Duda Klein já demonstrou que não é do tipo de guerreiro que recua. E eu não vou recuar. Não mais.
Mais do que nunca, agora é a hora de mostrar do que eu sou feito.

Esse sou eu, Duda.
Eduardo Klein,
Na Estrada.