Na estrada

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Episódio 25 - Por onde seu olhos me guiavam... ( Minha Estrada ) - Lado B


Na Estrada

Episódio 25 - Por onde seu olhos me guiavam... ( Minha Estrada ) - Lado B


No momento das decisões difíceis, quando as respostas encontradas não satisfazem às expectativas, não há caminho certo a escolher, nem tranquilo.

O ponto de partida para as grandes mudanças em nossas vidas partem sempre de uma atitude simples.

Nunca fui de conter minhas atitudes. Mas dessa vez o faço com maestria.

Não posso conceber este momento, nem hesitar. Não posso me permitir passar por isso... não outra vez.

Passei muito tempo tentando descobrir qual era a minha verdadeira motivação pra tudo isso. Chegando à conclusão de que os motivos estavam sempre se perdendo em meio a brigas, disputas e confusões.

Fazia da dificuldade da situação um pilar pra me agarrar à um bom motivo pelo qual perseguir meus sonhos.

E tudo se resumia à um único momento. Aquele em que estávamos juntos.

Meu verdadeiro caminho, ali, diante dos meus olhos. Palpável. Fascinante.

Estar envolvido por sua presença tornava as coisas mais simples. Embora minha vida jamais tenha sido simples desde o dia em que nos vimos pela primeira vez.

E foi quando você fez o que seu destino dizia a você pra fazer. Você me deixou entrar, por uma porta que eu jamais deveria ter cruzado. Algo que me tornou o errado da situação... o injusto.

Na equação do triângulo amoroso formado por nós três, Você( Ludmilla) Chris e Eu, algo me parece bem claro agora. E antes eu não conseguia ver dessa maneira. Eu achava que as coisas seriam tranquilas. Mas Você e Chris eram as constantes. Eu a variável.

Eu não sabia o porquê, mas andava pelos caminhos que o amor me dizia.

Por onde seus olhos me guiavam. Minha estrada começava a tomar forma com você ao meu lado.

Não importa o que fosse acontecer depois, eu estava pronto pra correr pra você e por você.

Mas hoje tudo é tão diferente... Por onde seus olhos me guiavam, já não há mais luz.

Ainda que nunca mais haja luz por aqui, nessa cidade de clima ensolarado, agora cinzenta demais, eu acredito que tudo o que passamos era exatamente o que estava guardado pra nós. Eu e você, e nosso destino. O que nos permitimos viver.

Sabendo que ao final do dia fecharia meus olhos e encontraria você logo no dia seguinte, tive noites longas demais.

No entanto, ainda que meus olhos se fechem no final deste dia e jamais tornem a abrir, sei que de um certo modo nada se perdeu. A vida perdeu. Não foi culpa minha ou sua. Apenas não deu.

Agora brinco de dizer que moro num lugar onde o Sol não brilha nunca, embora não seja verdade... embora tenha sido verdade por um tempo, apenas dentro de mim.

Não há razões pra procurar por você. Digo isso porque você jamais irá a lugar algum em que meu pensamento não esteja. No entanto não posso permitir que meu coração vá com você. Não mais. Pela minha cabeça não passa nenhum tipo de pesar por não ter sido como eu sonhava... acho que eu sonhei demais e esqueci de viver.

Talvez o grande culpado por tudo isso seja eu mesmo.

Por onde seus olhos me guiavam, meus pés já não me deixam andar. E meus olhos não seguem o reflexo dos teus como antes.

E acredite quando digo que não culpo você, nem ninguém por não sermos hoje o que sonhei que seríamos um dia. A vida perdeu. O destino ganhou.

Talvez você, minha Ludmilla, seja meu verdadeiro amor... aquele sem o qual minha existência não teria sentido. Mas a Clara é o meu Yang... Meu caminho. A estrada que eu sempre procurei, a que eu acreditava que me levaria ao meu verdadeiro lugar, está colada nos passos dela. E nem ela nem ninguém precisou me mostrar isso. Eu pude ver com meus próprios olhos. Os mesmos que viam anjos em volta de você.

Por onde seus olhos me guiavam era lindo...

Mesmo que este mesmo caminho, possa me levar hoje a fechar os olhos pra sempre... Eu jamais escolheria estar em outro lugar. Não eu, Duda Klein. O que devo dizer a você é que Te amo. E sempre será assim. Primavera em mim.

Mas jamais será, outra vez, nosso jardim secreto...

Ela, minha Rainha Clara... é exatamente o que eu preciso. Sem você viveria sofrendo, inconformado.

Mas sem ela, não há vida, nem luz, nem Sol. Nem jardim.

Por onde seus olhos me guiavam eu via um caminho.. sem saber onde daria ao certo e agora que sei, agradeço a você por isso. Por me levar a ela. Não culpo a você, nem a ninguém. A vida perdeu. O destino ganhou.

E não chore nem sequer por um minuto quando eu partir.

Você será muito feliz, nos braços de outro alguém, alguém que se impôs a nós. Que soube batalhar por tudo o que quis.

Não culpo a você nem a ninguém por isso. Você era o destino dele, assim como achei que fosse o meu.

Por onde seus olhos me guiavam eu via uma razão pra lutar com Chris Roman seja lá pelo que fosse, sempre culpando-o por amar você.

E ainda que provavelmente apenas um de nós dois volte daquela pista hoje, mesmo que meus olhos se fechem definitivamente. Não vou brigar com o destino. Nem com o seu, nem com o de Chris...

A vida perdeu. O destino ganhou.

E você e eu passamos.

Esse sou eu, Duda.

Eduardo Klein,

Na Estrada.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Episódio 24 - Quando olhamos pra trás..


Episódio 24 – “Quando olhamos pra trás “
Quando olhamos pra trás vemos caminhos que trilhamos com nossos próprios passos. É possível observar as decisões que tomamos, sem citar erros ou acertos.
Não existe certo ou errado. São apenas escolhas que todos temos que fazer.
Quando olhamos pra trás é um belo momento pra pensar no que não fizemos, nas estradas que nos devoraram e nos sonhos que nos consumiram.
Duke, meu pai e eu; vimos uma trama finalmente se desenrolar. Vimos alguns sonhos morrerem e também podemos ver que as flores continuam lindas.
Quando olhei pra trás, me vi num tabuleiro de xadrez.
Mais uma vez como um grande jogador, é hora de pensar em cada passo, cada jogada.
Olhando agora pra frente, é hora de proteger a rainha....
O conta-giros marca 2.500 RPM, com um toque preciso engato a 4ª marcha. Em seguida a 5ª.
Mais uma vez na estrada.. Acelerando pra cair nos braços dela. Eu pela Clara. Duke pela Helen.
Nós somos apenas os peões.
E que não se enganem os leitores desavisados: Bill, Olivier e Natan não são peças no tabuleiro. Eles são os mentores; os caras que balançam as cordas das marionetes que somos nós. Chris, Ethan, Helen, Duke, eu, Ludmilla, Clara e Helen.
Quando olhei pra trás percebi que era minha vez de ditar as regras e dizer os próximos passos. De uns tempos pra cá aprendi a amar este jogo, porque sei agora como as coisas funcionam e acontecem.
Agora alguns fatos ocorrem fora do olho do furacão. Enquanto muitas histórias se confrontam numa mesma estrada. _
Na casa de Natan Roman _ 14/05/1998 _ 10:00 h
Natan é interrompido enquanto falava ao telefone, por um de seus empregados.
Natan: _ O que houve?
William (Mordomo ): _ A Srª. Diana Klein está na sala ao lado e deseja conversar com o Sr. Vai recebê-la, Sr. ?
Natan: _ Diana, aqui? Diga a ela que eu desço em alguns minutos. E prepare meu carro.
William: _ Como quiser, senhor.
Pouco depois...
William: _ O Sr. Roman vai recebê-la, Srª. Klein. Ele não demora. Fique a vontade, senhora. Qualquer coisa é só chamar.
Diana: _ Obrigado, Willian. Você sempre muito gentil. _
____ Docas de Chicago ____ No cargueiro Scarlet
Olivier: _ Ora, ora. Como vão as coisas, Clara Pierce? A gente já se conhece há certo tempo e sempre nos vemos em situações difíceis. Meu nome é Olivier Durgen.
Clara: _ Eu sei quem você, mas posso saber o que você quer?
Olivier: _ Paciência. Em breve tudo se resolverá. Seu tio Bill, já sabe que estou com você. Daqui a pouco ele vai começar a rodar a cidade à sua procura. Ele e o seu namoradinho.
Clara: _ O Duda não é meu namorado. _
Um empregado de Olivier se aproxima...
Olivier: _ Fale Will.
Will: _ Os executivos chegaram. Eles acabaram de embarcar. Eu os levei para cabine 88, onde agora os aguardam.
Olivier: _ Obrigado, Will. _ Perdoe-me Clara, mas agora eu preciso fazer negócios. Um grupo de milionários europeus se mostrou muito interessado no conteúdo do computador do seu tio Bill, que o Ethan pegou de você. Meus homens libertarão você assim que for possível. Até lá, basta que você espere.
Clara: _ O Duda vai ferrar você. E o Bill não vai deixar você sair dessa.
Olivier: _ O Duda está com os dias contados. E o Bill não sabe onde se meteu. _
Clara fica atordoada com a revelação de Olivier. Agora ela torce para que Duda não venha procurá-la, embora ela saiba que de algum modo apenas ele pode ajudá-la. _
___ Na casa de Natan Roman ___
Natan: _ Olá Diana. O que lhe traz aqui?
Diana: _ O que você acha? Eu vim resolver o problema do meu filho.
Natan: _ Você não tem esse poder.
Diana _ Eu posso te ajudar a conseguir os títulos que você quer.
Natan: _ Como você sabe disso?
Diana: _ Eu sei de muitas coisas...
Natan: _ Como você pode me ajudar?
Diana: _ Eu sei quando e onde os títulos serão trocados. Uma pessoa no FBI me deu essa informação. Eu posso te dizer o que sei, mas preciso de uma coisa em troca.
Natan: _ Faça sua oferta.
Diana: _ Olivier Durgen e Boris Foster, do Tesouro Americano, vão negociar os títulos que o francês conseguir. Ninguém fará negócio algum. Não importa quem venda. Olivier vai tomar os títulos pra si e negociar com o agente do tesouro.
Natan: _ Como ele conseguiu este contato? Muito astuto. Eu busquei isso por meses e jamais consegui. Como você soube disso? Me diga mais?
Diana: _ Tem um preço!
Natan: _ Eu pago!
Diana: _ Eu quero a Helen.
Natan: _ Ela não está em questão. É minha carta na manga.
Diana: _ Quero a Helen. Ou vou embora agora e negocio direto com o francês.
Natan: _ Você não pode fazer isso. Além do mais, a Helen fora não significa que o Duda saia também.
Diana: _ Isso é problema meu. Vamos ou não fechar este acordo?
Natan: _ Fale mais. Eu aceito sua oferta. _
Ele segue ouvindo o que Diana Klein tem a dizer, mas ele não tem mais Helen em seu poder. Ethan Hawk a levou para Olivier. Mas Diana Klein não sabe disso. Ela, porém, não está sendo totalmente honesta com Natan também.
De volta ao centro do furacão.
Os carros começam a tomar as pistas. Duke e Jonas tomam as ruas dando o máximo do motor do Demolidor.
Duda e Serena vão acelerando forte na rodovia.
Serena abusando das marchas longas de seu Gallardo.
Duda cortando o vento com seu Tornado.
Longe dali...
Olivier: _ Olá Boris. Como estamos? Tudo bem?
Boris: _ Tudo está correndo como o previsto. A garota nos ajudou muito. Foi uma grande jogada. Helen Suay é uma peça fundamental nessa negociação. E a outra menina?
Olivier: _ Acabei de falar com ela há pouco. Os dados do computador que tomamos dela será de grande valia. Mas algumas precauções estão sendo tomadas. Preciso que seus homens dêem segurança ao Ethan. Ele vai ao circuito vencer o Desafio e eu espero que nada de ruim aconteça. É importante pra ele.
Boris: _ Farei o que for preciso. Ele trouxe Helen e Clara pra nós. Conseguiu isso graças à grande habilidade como piloto que ele possui. E a esta altura Natan Roman deve estar louco atrás dele. Mas o que faremos com o Bill?Olivier: _ Aguardamos. Eles chegarão. Ele e os fedelhos.
Boris: _ Quanto tempo até que isso aconteça?
Olivier: _ eu acredito em algo em torno de 40 minutos, no máximo.
Boris: _ Meus homens estarão a postos.
Olivier: _ Perfeito. Quero que ajudem o Ethan. _
Os dois se despedem. E uma sensação de vitória toma conta de Olivier Durgen e ele sorri.
De volta a estrada...
Duke relembra seus momentos com Helen.
Duda corta a cidade pra chegar à região das docas.
Jonas, temeroso por seu filho, enquanto Serena entra em contato com outros agentes pelo rádio.
O trajeto era tranqüilo até que Duda vê o carro de Ethan na outra rodovia, em direção ao autódromo.
Ele avisa imediatamente aos outros pelo celular.
(as conversas a seguir acontecem via celular / viva voz )
Duda: _ Acabei de ver o Ethan indo em direção ao autódromo. Acho que consigo chegar nele. Você consegue me acompanhar?
Serena: _ Estarei logo atrás de você.
Jonas: _ O Duke e eu seguiremos pras docas. Seja rápido e nos avise se algo sair do controle.
Duda: _ Tudo bem. Vai dar tudo certo.
Serena: _ Assim que você dobrar na próxima rua a esquerda, estaremos sob companhias nada agradáveis. _
A bordo de seu Acura RSX, Ethan conversa pelo rádio com Olivier.
Ethan: _ Duda me viu. Parece que vai fazer como imaginamos. Vou pro circuito e espero que seus homens interfiram logo.
Olivier: _ antes que você chegue ao circuito, meus homens deterão Duda Klein. Você poderá correr tranqüilo. Depois venha pegar seu presente. Ela estará aqui.
Pouco depois, Ethan já tem Duda no seu retrovisor. Serena acompanha os dois, mas logo avisa ao jovem piloto que têm companhia.
Serena: _ Chegaram.
Duda: _ Já vi. Dois carros rápidos se aproximando pela pista da direita
Serena: _ Tem mais dois atrás de nós.
Duda: _ Não perca o Ethan de vista. Lê é rápido. Seja cuidadosa.
Serena: _Pra onde você vai? O que vai fazer?
Duda: _ Eu sou o alvo, como sempre. Vou dar a eles o que eles querem, mas preciso que você cole no Ethan.
Serena: _ É muito perigoso.
Duda: _ Eu dou um jeito. _
Duda encerra a ligação. Ele diminui a velocidade e Serena passa por ele. Ela segue o rastro de Ethan, enquanto Duda pega um caminho paralelo que leva a ele e seus seguidores pra um caminho de ruas estreitas pelos becos do bairro sujo de Chicago.
Uma medida inteligente porque anula a vantagem numérica de 4 contra 1.
Seguindo adiante, ruas a dentro. Os capangas de Olivier, todos enfileirados nada podem fazer a não ser seguirem o Tornado. Até que a janela de um dos carros se abre e o homem no banco do carona começa a atirar contra o carro de Duda. Logo nosso herói percebe que seja qual for a idéia que ele tinha em mente, era esse o momento de usar. No segundo seguinte ele já tem um plano traçado. Tudo exatamente calculado em sua cabeça. Nessa hora, conhecer as ruas de Chicago como a palma da sua mão servirá como um trunfo neste jogo.
(24.1) – Preciso como uma Raposa – O Ponto 286
Enquanto Serena, Jonas e Duke (sem dizer uma palavra de tão nervoso) vão atrás da liberdade das meninas, Helen e Clara, algo acontece nos becos de Chicago.
Com os olhos fixos no beco por onde acelera e no painel do GPS, Duda rasga o vento enquanto os homens de Olivier o perseguem atirando feito uns loucos. Mas algo mudará, exatamente agora.
O Tornado ruge com a carga de nitróxido injetado por Duda. O ganho de velocidade é notável. O carro dispara com fúria e nosso herói vai correndo por becos e vielas até que uma parede surge bem mais rápido do que ele supunha. Os dois Honda que vinham logo atrás eram carros rápidos, mas os pilotos nem tanto.
Duda consegue entrar por um beco a caminho a esquerda poucos metros antes que batesse. Os dois Honda não. Eles passam reto e batem contra a parede. E agora restam apenas dois, mas eles estão bem próximos. Mesmo com o Tornado a mais de 120km/h nessas ruas apertadas.
Vez ou outra Duda acaba raspando a lateral do Tornado em alguma parede do beco. Embora seja um grande piloto, aquelas vielas não foram feitas pros carros. Muito menos a esta velocidade.
Quando já ficava sem idéias de como escapar desses dois idiotas, eis que Duda tem uma idéia notável. Ele chama Serena pelo celular. _
Duda: _ Serena, cadê o Ethan?
Serena: _ Dez metros a minha frente. Estou colada nele o máximo que posso.
Duda: _ Ele é um sacana, mas pilota demais. Você devia estar orgulhosa por conseguir segui-lo. Ele já injetou NOZ?
Serena: _ Não. Por quê? Onde você está?
Duda: _ Estou nas paralelas com dois caras na minha cola, mas vou cuidar deles. O importante é você ouvir o que eu digo. Ele não vai injetar a menos que eu apareça. Ele vai me esperar até o fim.
Serena: _ Tem certeza? Por que ele faria isso?
Duda: _ Absoluta. Porque é o que eu faria se corresse no lugar dele.
Serena: _ E o que eu devo fazer?
Duda: _ Como o Duke e o Demolidor estão longe, não dá pra tentar enganar ele com os carros. Mas a gente pode fazer algo melhor. Marquei um ponto no meu GPs e você deve fazer o mesmo. O ponto é 286. Ande na faixa dos 150km/h a partir de agora, quando o GPS informar que você está há 1km do ponto você vai injetar sua carga de NOZ.
Serena: _ Eu tenho cerca de 1200 de pressão de NOZ.
Duda: _ Será perfeito. Mas há um detalhe. Aconteça o que acontecer, não ultrapasse o ponto 286. Depois que injetar toda a sua carga, desacelere e pise no freio. Pare o carro antes do ponto 286.
Serena: _ ele vai injetar logo que vir eu me aproximar. O que você pretende?
Duda: _ Ele não vai injetar. Ele pode andar mais que isso que você viu, mas só irá fazer se me vir na pista. Quando você acelerar ele andará o mais rápido que puder, mas não injetará. Agora faça o que lhe digo e vou fazer a minha parte._
Encerrada a ligação, o jovem piloto acelera e vê pelo retrovisor os homens se aproximarem. Ele respira fundo enquanto ouve os disparos que encontram a lataria do Tornado. Retorna a atenção para o GPs. Logo vê a proximidade do carro de Serena e do ponto 286, marcado por ele mesmo.
Duda entra pra direita e pisa fundo. Os carros agora estão bem mais próximos... Serena injeta o NOZ, Ethan rasga a reta ao vê-la chegando e logo ele está na ponte do Marquês, que leva ao circuito de Chicago. O carro de Ethan está sobre a ponte. O carro de Ethan está sob o ponto 286. Serena parou cerca de dois metros antes da ponte. E nesse mesmo instante Duda vem acelerando no beco até que no momento em que um dos carros iria bater na traseira do seu Tornado. Ele soube enxergar numa fração de segundo o que muitos não veriam em minutos.
Se seguisse simplesmente em frente ele teria se chocado contra uma mureta pequena, mas ele viu uma leve depressão ( descida ) no seu caminho a esquerda. Ele injetou uma grande carga de NOZ e entrou no que descobriu ser uma espécie de túnel, por baixo dos caminhos dos becos. Os seus seguidores não foram tão hábeis e passaram pela mureta de proteção e por uma pequena rampa que fez com que os carros decolassem. Os dois foram cair na ponte do Marquês.
Um dos carros perdeu o controle na queda e capotou duas vezes e depois bateu nas portas do acostamento da ponte. O outro carro, um BMW azul, voou como um pássaro e caiu como uma pedra sobre o ponto 286. Como uma pedra sobre o carro de Ethan.
Ethan saiu do carro assustado. Os carros ficaram destruídos, mas ele nada sofreu. Enquanto ele olhava atordoado, Duda acabava de deixar o túnel, que a propósito dava na lateral da ponte. O Ponto 286 ( risos)
Perplexo, Ethan observa o Tornado se aproximar e Duda pára ao lado dele e Serena logo pára do outro lado. Ele logo entende a seriedade da situação. _
Ethan: _ Merda. Isso não é bom.
(24.2) – Acertando as contas: “Você perdeu!“
Sorridente e animado, Duda desce do carro. Ele olha pra Serena e pede a ela que se afaste. Ela olha para Ethan e Diz: _ Você perdeu.
Duda logo intervém. _
Duda: _ É, meu chapa. Você se ferrou, mas pode ficar tranqüilo porque você nem vai se lembrar do estrago do seu carro depois que eu quebrar a sua cara.
Ethan: _ Cai dentro, moleque! _
Por mais que tente bancar o machão, Ethan não consegue encarar Duda. Depois de vários socos e pontapés Ethan cai no chão e não se levanta. Cospe uma grande quantidade de sangue. E Duda apenas espera o que ele tem a dizer. Coisas que todos precisam ouvir.
Ethan: _ Todos perderam. O francês venceu. Ele já tem todos os títulos, faltam apenas os do Bill. Mas ele vai consegui-los assim que acabar de vasculhar o computador que ele pegou da Clara. E Natan Roman é o único que ainda tem chances contra Olivier.
Duda: _ O que ele fez com ela? Fala imbecil?
Ethan: _ Não sei. Ele não quer fazer nada com elas. Ele só quer os títulos.
Duda: _ E a Helen?
Ethan: _ Ele não precisava dela, até saber quem ela era.
Duda: _ Ela é filha do Bill, todos sabemos.
Serena: _ Não é disso que ele está falando. Ela é do FBI, assim como eu. E como o próprio Ethan já foi um dia.
Ethan: _ Isso mesmo, Srtª. Brooke.
Serena: _ Você está preso. Agora vai me dizer onde elas estão, ou o Duda vai arrebentar ainda mais a sua cara. _
Minutos depois os agentes do FBI chegaram e levaram Ethan preso. Serena e Duda partiram em direção ao cargueiro Scarlet, nas docas.
Agora as coisas ficam emocionantes de verdade.
E a saga continua...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Episódio 23 - Renascer ( Quem vence a si mesmo é poderoso )



Duda Klein -



Ludmilla Connors -




Clara Pierce -



Episódio 23 – Renascer ( Quem vence a si mesmo é poderoso )


Quem nunca se desiludiu na vida não sabe o que digo, o que sinto e nem o que penso agora.
Entre os milhares de pensamentos que povoam minha cabeça... nenhum par de idéias. Nada faz sentido.
Ao herói caído em batalha, pede-se apenas que se levante. Que se levante e siga em frente. Quando a dor da perda é absorvida , sentida de forma real e cruel. Ao herói traído em batalha, pede-se apenas que se levante.
Persistente e destemido, por suas próprias forças se ergue.
Passos lentos na estrada. Um segundo renascer.
Quem vence a si mesmo é poderoso.

Da janela do seu quarto na casa dos Klein, Serena Brooke observa Duda mexer no Tornado. Enquanto isso, da porta do quarto, Diana observa a jovem agente do FBI. Ela surpreende Serena.

Diana: _ Ele é como o espelho um dia foi para Narciso.
Serena: _ O que disse, Srª. Klein?
Diana: _ Desculpe-me se te assustei. Mas Jonas e Duke precisam de você lá embaixo, embora seja muito cedo.
Serena: _ Não tem problema, dona Diana. Mas o que a senhora disse sobre Narciso?
Diana: _ Eu que o Duda é como o espelho foi um dia para Narciso. Uma paixão que toma conta de sua vida. Ele puxa as coisas e as pessoas até ele. Mesmo sem saber disso.
Serena: _ Quer dizer o que com isso, senhora?
Diana: _ Que você é bonita. E que tem um olhar muito familiar. E que talvez não seja apenas eu que pense assim. Meu filho é um bom garoto, mas não sei se está preparado pra tudo que tem que enfrentar.
Serena: _ Ainda não entendo o que a senhora quer com essa conversa.
Diana: _ Quero que você proteja o meu menino.
Serena: _ De quem? Natan Roman?
Diana: _ Não. Dele mesmo. O pior inimigo do meu filho é ele mesmo.
Serena: _ E a senhora acha que eu posso impedir ele de fazer alguma coisa?
Diana: _ Seus olhos... alguma coisa em seus olhos me diz que você pode fazer isso. _

Serena deixou o quarto. Diana colocou a mão no peito e fechou os olhos. Com um sorriso discreto deixava transparecer uma alegria até então inexplicável.

Jonas: _ É, Duke. Fizemos um ótimo trabalho. Ficou perfeito.
Duke: _ Realmente, senhor Klein.

Logo Serena chega a garagem.

Jonas: _ Bom dia. Como foi a noite?
Serena: _ O pouco tempo que dormi foi bom. Bom dia pra você também, Duke.
Duke: _ Bom dia, Serena.
Serena: _ Onde está o Duda? Eu o vi há pouco aqui na frente.estava mexendo neste carro.
Duke: _ Não, Serena. Ele estava com o Tornado.
Serena: _ Isso mesmo. Este carro.
Jonas: _ Este não é o Tornado.
Serena: _ Não?
Duke: _ Este é o Demolidor. O nosso herói. Nosso trunfo pra resgatar a Helen. (Duke vai falando e uma lágrima rola dos seus olhos e cai no chão)
Com esse carro podemos fazer as coisas voltarem ao normal.
Serena: _ E vocês vão trazer a Ludmilla também?
Duke: _ Não. Ela está onde deveria estar. Meu amigo precisa de alguém que ame-o mais que tudo e que confie nele e em suas decisões. Essa pessoa ele perdeu ontem.
Jonas: _ Sente aí, Serena. Vamos te contar tudo. _

Nesse instante o telefone do Duke toca... alguns instantes de silêncio. Depois de ouvir o que lhe dizia uma voz rouca, desligou o celular.

Jonas: _ Fale alguma coisa rapaz. O que houve?
Duke: _ Temos que achar o Duda. Precisamos dele.
Serena: _ Quem ligou? O que disse?
Jonas: _ Por que precisamos dele? O que está contecendo?
Duke: _ Precisamos dele, senão a Helen morre.

(23.1) Dois sinais de fraqueza.

Bill: _ Você entendeu? Esteja aqui as 16h.
Clara: _ Os seguranças vão com você. Eu vou levar o celular e manteremos contato.
Bill: _ Traga os computadores pra mim. Os garotos correm daqui algumas horas. Você está em melhor condição pra realizar está operação, levantando menos suspeitas do que se eu mesmo fosse até Seatle agora. Tome cuidado.
Clara: _ Bill. Dá um abraço nele por mim. Sabe que ele ainda é meu mundo. Diga que estou torcendo por ele.
Bill: _ Eu direi, mas ele já sabe disso. Agora vá. _

Pouco tempo depois que Clara saiu com seu carro, Bill recebe uma ligação. A mesma que Duke recebeu. Desesperado ele liga pro Duda, mas o celular está desligado. Minutos depois Bill já está na casa dos Klein, mas apenas Diana está lá. Ela lhe diz que todos saíram. Ele pede a ela que avise aos garotos para irem até a represa Gray Hill. Depois sai feito um louco com seu carro. Sem encontrar Duda, acabou ligando para Clara.

Bill: _ Clara! Me escute. A Helen está precisando de mim e eu estou precisando do Duda. Caso você fale com ele, avise-o.
Clara: _ Vou voltar pra lhe ajudar.
Bill: _ Não! Você deve continuar. Isso é importante demais.
Clara: _ Tudo bem, mas mantenha-me informada. Procure o Duda pelo GPS. Pode ser que dê certo.
Bill: _ Estou tentando, mas está desligado. Vou tentar de novo. _

____Escritório da Equipe Roman ___

Um entregador trás um envelope à Natan Roman. Ele lê, logo depois rasga o bilhete, inconformado.
Natan: _ Francês idiota. Como ele pôde fazer isso. Agora ele vai ver com quem está lidando.

O empresário pega o telefone: _ Acabem com ela. Mas primeiro dê um bom tratamento ao Ethan. Quanto aos outros dois que com certeza irão até aí. Dê a eles a nossa surpresinha.

____ Numa das estradas de Chicago ____

Por alguns instantes, essa estrada no meio do nada será a mais importante estrada da vida de muitas pessoas.
Os sonhos dos nossos heróis ficaram pra trás. São movidos agora por uma força que supre toda a falta de vivência que estes jovens poderiam ter.
Nas rodovias da Gray Hill, estão duas flexas jogadas ao vento. Cartas jogadas na mesa.
O Demolidor e o Tornado. Duke e Duda, acompanhados por Jonas e Serena.
( os diálogos a seguir acontecem numa conferência via celular )

Duda: _ Como estão as coisas por aí?
Duke: _ Muito bem. Esse Demolidor é rápido. Parece o Tornado.
Duda: _ Ei pai, o GPS ainda está desligado?
Jonas: _ Eu estou ajustando as coordenadas que o Duke recebeu pelo celular pro GPS de vocês. Alguns segundos apenas... a Serena está bolando um trajeto diferente pra nós. Fala pra eles Serena.
Serena: _ Temos a localização da Helen marcada no GPS de vocês. O Demolidor está com o código GPS que era do Tornado. Isso será muito importante pro nosso sucesso. Vocês dois farão caminhos diferentes a partir do km 156 da rodovia Represa Gray Hill. Há apenas dois pontos em comum no percurso dos dois. Um velho estacionamento na rua dos Aquários. Lá colocaremos nosso plano em ação.
Duda: _ E como faremos isso?
Jonas: _ O Duke irá até o esconderijo da Helen com o Demolidor. Mas ele terá apenas a missão de atrair a atenção dos seguranças de lá. Enquanto isso Serena e Duda irão resgatá-la e trazê-la pra nós. Eu irei com você pra te ajudar. Afinal, duas cabeças pensam melhor que uma.
Duda: _ Tudo sairá bem.
Serena: _ Essa é a hora rapazes. Não há espaços pra fraqueza. Helen precisa que sejamos fortes.
Duda: _ Espera aí um minuto. Tenho que atender a ligação do Bill. Ele pode nos ajudar.
Serena: _ Não fale a ele sobre o Demolidor. Ele pode nos atrapalhar mais tarde.
Duke: _ Mas ele com certeza vai querer ir até lá.
Jonas: _ Ele não nos criará problema. Sei como lidar com o Bill. _

Duda atende à ligação do Bill.

Bill: _ É uma cilada! Fiquem onde estão. Você e o Duke.
Duda: _ Do que você está falando?
Bill: _ A Helen não está com o Natan Roman. Ela está num navio cargueiro ancorado nas Docas. A ligação era uma armação.
Duda: _ Mas o que é tudo isso? Quem pode estar por trás disso? E como você sabe dessas coisas?
Bill: _ Recebi a mesma ligação que vocês. Tudo é um truque pra nos manter ocupado. Querem desviar nossa atenção.
Duda: _ Talvez queiram algo que é nosso. Mas o quê?
Bill: _ Não sei bem...
Duke: _ Bill, pode me ouvir?
Bill: _ Sim, pode prosseguir.
Duke: _ Estava te ouvindo aqui. Quando você falou em desviar a atenção, eu me lembrei de uma coisa. Onde está a Clara? Ela me disse que iria fazer um favor pra você.
Duda: _ Bill? Ela foi pegar os títulos, não foi?
Bill: _ Meu Deus. É isso mesmo. Ele pensou em tudo.
Duke: _ Ele quem? De quem você está falando?
Duda: _ Do francês. Ele está falando de Olivier Durgen.
Bill: _ Isso mesmo Duda. _

Um silêncio nada agradável durou alguns instantes.

Duda: _ Pessoal. O plano mudou. Me encontrem no Burger King. Duke, Serena e meu pai... preciso de vocês. E você Bill, preciso de você também. Quero que você ajude o meu amigo Duke.
Duke: _ O que nós faremos, como vamos resolver isso?
Duda: _ Me encontrem no Burger King. Agora, como no xadrex, é a hora de protegermos as nossas rainhas.
Serena: _ Mas e quanto ao Demolidor? Temos que levá-lo pra casa.
Jonas: _ Isso mesmo. É muito importante.
Duda: _ Não pai. O mais importante agora é salvar as pessoas que amamos. E se o Bill fizer algo que possa me atrapalhar, passarei por cima dele também.
Bill: _ Do que você está falando, garoto?
Duda: _ Você logo vai saber. Logo logo. _

Agora mais do que nunca tudo está conectado.
Todos os caminhos seguem na mesma estrada.
Todos os destinos seguem para o mesmo amanhã.
Todas as responsabilidades sobre os mesmos ombros de sempre.
Duda Klein precisa, de novo, resolver seus problemas e reparar algund dos caprichos do Destino.
Enquanto isso Natan ordena um grupo para resgatar Helen Suay, para tê-la de novo sob seu domínio.
Olivier Durgen segue sorridente enquanto aguarda que seu plano se concretize.
Ludmilla e Chirs estão no autódromo onde Chris começa sua bateria final de provas. Ela olha pro anel em seu dedo e sabe que sua vida mudou.
Longe deste furor, de todas estes acontecimentos, Diana Klein observa emocionada seu álbum do passado.
Os olhos lacrimejam, com sensações que ela já não acalantava há tempos.
Duda no entanto, usa este pouco tempo que tem até que o furacão o alcance pra por os pensamentos em ordem.
“Duas coisas são sinais de fraqueza: Falar quando é preciso calar-se. E calar-se quando é preciso falar. “ Não há espaços pra fraqueza. Não aqui. Faremos o que é preciso e traremos ELAS de volta.
Quem vence a si mesmo é poderoso.
Esse é o grande segredo.
Por mais que eu queira ir até o Olivier e quebrar a cara dele. Bater até que meus braços já não tenham mais força pra realizar qualquer movimento.
Eu não farei isso, não agora...
Quem vence a si mesmo é poderoso.
Como eu já disse uma vez, a raiva é um vento que a apaga luz do raciocínio.

Esse sou eu, Duda.
Eduardo Klein,
Na Estrada.



quarta-feira, 29 de abril de 2009

Episódio 22 - A raiva é um vento....

Episódio 22 – A raiva é um vento... (Aprendi gentileza com os rudes )

Brio. Determinação. Essas duas palavras me acompanham durante os anos da minha vida.
E a minha vida tomou o rumo que meus próprios atos indicaram. Mas eu, Duda, sou o resultado das coisas que vivi. De tudo que aprendi. No entanto, jamais poderei dizer que foi simples. Posso garantir que meu jeito impetuoso, talvez seja reflexo da forma como a vida expôs a mim suas aspirações. Acredito agora em Destino. Mas não que ele seja invencível, pois vou derrotá-lo em breve. Acredito que ele exista, porque ele me fez como sou.
Aprendi silêncio com os falantes. Tolerância com os intolerantes. Gentileza com os rudes. E mesmo com todas estas controvérsias, ainda vejo beleza em sentir amor...
“Chorar” me ensinou a beleza do “Sorrir”

___ Na casa de Duda Klein ___
SERENA BROOKE (TAYLOR COLE)

Serena Brooke acabara de chegar. Jonas e Duke foram recebê-la em frente a casa.

Jonas: _ Você chegou. Estávamos lhe aguardando.
Duke: _ É mesmo.
Serena: _ Peguei um pequeno engarrafamento na rodovia, mas achei um atalho.
Jonas: _ Como foi a viagem?
Serena: _ Saí de Nova York pela manhã, mas tive que ver uma pessoa antes de chegar aqui. Por isso demorei._

Duke fica impressionado com o carro de Serena.

Duke: _ Você tem um carro demais.
Serena: _ É sim. Você gostou da cor?
Duke: _ Não. Gostei do carro. Não é todo dia que se vê um desses.
Serena: _ É um Lambourguine Gallardo Concept. Me identifiquei com ele assim que dei a primeira volta.
Jonas: _ Parabéns. É um carro fantástico. _

Os três foram até a porta, mas antes que entrassem ela se abriu. Era Duda.
Duda: _ Me desculpem. Estou saindo.
Jonas: _ Duda, essa é a Serena Brooke. Ela vai nos ajudar a resolver os problemas. Seus problemas.
Duda: _ Agora não, pai. Agora eu preciso fazer outra coisa.
Jonas: _ Duda! _ ele caminha até o carro do filho. _ Você não vai a lugar algum. Onde está indo?
Duke: _ É cara. Vai pra onde uma hora dessas?

Serena apenas observa. Ela caminha na direção de Duda.
Jonas: _ Saia do carro, Duda.
Diana: _ Deixe-o ir, Jonas _ responde com lágrimas nos olhos, na porta da casa.
Jonas: _ O que houve, querida?
Diana: _ Conversamos depois amor. Deixe-o ir. _

Jonas se afasta. Duda liga o Tornado. Serena entra pela porta do carona e surpreende o rapaz.

Duda: _ O que você está fazendo? Por que você entrou? Não vai me impedir de fazer o que quero fazer.
Serena: _ Tem razão. Mas vou com você.
Duda: _ O que?
Serena: _ Você vai ou não? Parecia estar com pressa.
Duda: _ Tudo bem. Se você prefere assim.
Serena: _ Me disseram que você é rápido. Será verdade? Você parece ser só um garoto.
Duda: _ E sou mesmo. As duas coisas. _

Trilhando os caminhos que o Destino lhe reservou, Duda sai acelerando muito. Veloz como sempre. Furioso como nunca antes.
Serena se segura no banco, sem entender como aluem é capaz de andar tão rápido. Tão imponente. E o ronco do motor do Tornado parece interagir com os sentimentos de Duda. Talvez porque eles sejam um ser só. A cada troca de marchas, uma nova chance. “ A cada curva, acelerando firme pra ir pros braços dela “.
Agora não mais desse jeito. Ele pilota agora pra encontrar seu YANG. Seu oposto. Rival. Inimigo.
Com toda a sua fúria.
“Aprendi gentileza com os rudes. E Chris vai descobrir o que aprendi. Quero olhar nos olhos dele. “ _
Serena: _ O que você acha que vai ganhar com isso?
Duda: _ Paz. Por alguns instantes pelo menos. Paz.
Serena: _ E depois?
Duda: _ Depois, não sei. Mas não vou deixar que ele vença. Já não me importo com nada. Só com ela. Se ele me tirar isso, perderei tudo.
Serena: _ Você tem amigos. O Duke e a Helen por exemplo.
Duda: _ Vou tirar a Helen desse problema. Te garanto. Depois vou resolver com o Chris.
Serena: _ Você tem certeza?
Duda: _ Absoluta. Ainda que pareça arrogante ter certeza de qualquer coisa... certo ou errado farei o que tenho que fazer. Agora chegamos. Só vou levar uns minutos.
Serena: _ Tudo bem. Eu espero aqui. Não demore e se cuide.
Duda: _ Tudo bem.

Longe dali, Jonas Klein e Duke Sanders

Duke: _ Sr. Klein, o que está havendo? Pra onde ele foi? O cara ta cheio de problemas na cabeça.
Jonas: _ Todos os problemas do Duda tem o mesmo nome. Parece que Diana sabe de algo que não sabemos. Vamos entrar. Temos que conversar.
Duke: _ Tudo bem, vou ligar pro Bill. Talvez ele saiba de alguma coisa sobre a Helen.
Jonas: _ É tarde filho. Mas se você acha que pode ser útil, ligue. Nossa verdadeira ajuda está com o Duda. _

Em outro ponto dessa noite longa...

Helen: _ Até onde você vai com isso? Sabe que algo vai dar errado.
Natan: _ Vou lhe contar uma coisa menina. Eu não fracasso. Achei que seria mais gentil, afinal de contas você está sendo muito bem tratada aqui.
Helen: _ Quando o Duke te pegar...
Natan: _ Sabe que meu alvo não é ele. Ele é só um escudo, que o Duda tinha e que se quebrou. Eles não podem me atingir, mas posso ser generoso se seu pai me der o que quero.
Helen: _ Meu pai? Do que você está falando?
Natan: _ Sem joguinhos. Eu sei a verdade. Sei que veio pra investigá-lo e que no meio disso descobriu que era seu pai. Eu sei de tudo, menos pra quem você trabalha. Mas isso não me importa agora. _
Helen fica atordoada. Não responde nada, mas sabe que Natan não está blefando. Ele sabe o que diz.

O Grande Hotel Cassino – Chicago.

Olivier: _ Ethan! Onde você está? Pensei que você estaria aqui no cassino. O que está havendo?
Ethan: (ao telefone ) _ Acabei de pegar a encomenda. Você pode preparar as coisas por aí, porque eu não demoro.
Olivier: _ Alguém te seguiu, mas nossos amigos não conseguiram capturá-lo. Mas faço uma idéia de quem seja.
Ethan: _ Havia um carro dos federais lá também. Mas não os vi mais.
Olivier: _ Entregue o pacote ao motorista. O negócio está fechado. Nossos planos estão se concretizando. Nós vencemos.
Ethan: _ Você é um gênio.
Olivier: _ Sim. Eu sou. _

Olivier desliga o telefone. Bebe uma taça de vinho e aperta a mão de um negociador sérvio. Olivier Durgen acaba de pôr em prática um plano que pode ser chamado de uma tacada de mestre.
Antes mesmo do fim do desafio, ele consegue vender os seus títulos. Sorridente, ele se levanta e vai embora levando um notebook que usou pra fechar o negócio. Ethan fica feliz por saber qu a liberdade de Helen está próxima.

___ amanhece em Chicago ... seis da manhã ___

Novo dia. Mesmos problemas.
Duda e Serena acabaram de chagar na casa de Chris.

_agora um dos dias mais difíceis da vida de Duda _


Serena: _ É aqui. Você Queria muito chegar. E agora?
Duda: _ Não sei. Vou deixar rolar. Vai ser tudo como ele quis.
Serena: _ Quando diz “ele” você quer dizer Chris Roman?
Duda: _ Destino. O Destino quis assim.
Serena: _ Você acredita mesmo em Destino?
Duda: _ Embora eu tenha negado, ele existe. E só eu posso vencê-lo.
Serena: _ Vai desafiar o Destino?
Duda: _ Não vou desafiar. Vou vencer.
Serena: _ Então alguém quer isso tanto quanto você.
Duda: _ Por que diz isso?
Serena: _ Porque o portão acaba de se abrir. Acelera aí. Vamos entrar.
Duda: _ ta cheio de seguranças no jardim. Mas parece que eles querem que eu entre.
Serena: _ Estamos sendo aguardados. _

Logo que Duda chegou na porta da frente da cãs dos Roman, uma surpresa nada agradável. Natan e Chris aguardam ansiosos a chegada do nosso herói. Duda desce do carro. Serena apenas observa. Ele caminha rápido como se fosse pra cima dos dois;

Duda: _ Tenho que dizer umas coisas pra vocês dois. Podem adiantar as coisas e chamar os seguranças porque eu vou quebrar a cara de vocês.
Natan: _ Você é bem audacioso rapaz. Mas você não veio aqui pr dizer nada. Você vai ouvir. Tudo que precisa ouvir.
Duda: _ Do que você está falando?
Chris: _ Fica calado otário. Você vai entender. _

Quando Natan abre a porta, Ludmilla aparece com um olhar diferente do que Duda estava acostumado.
Duda: _ O que eles fizeram com você?
Ludmilla: _ Você não devia estar aqui. Seja lá o que você queira, não vai encontrar aqui. Acabou. Não há mais nada entre nós. Vou me casar com o Chris. Estamos felizes, mais do que jamais estivemos.
Duda: _ É mentira. Você tem que vir comigo.
Natan: _ Se acalme garoto. Talvez seja melhor você ir.
Ludmilla: _ Vá embora Duda.
Chris: _ viu moleque. Eu ganhei.
Duda: _ Tudo bem. Eu vou. Acho que não tenho nada pra dizer mesmo.
Ludmilla: _ Eu também penso a mesma coisa.
Natan: _ Rapaz, você disse que queria falar, mas parece não ter absorvido bem o que ouviu. _

Desolado o rapaz volta pro carro. Os Roman apenas observam. Serena guia ele até o banco do carona. Natan fica atordoado com Serena, enquanto Ludmilla observa sem saber do que se trata.

Duda: _ Me tira daqui. Toma as chaves do carro.
Serena: _ Você acha que foi uma boa idéia vir aqui?
Duda: _ sim. Foi uma grande idéia. Me leva embora! _

Sem dizer uma palavra ele vai chorando pra casa. Quando o carro pára em frente a casa, Jonas Klein vem receber seu filho. Diana chama Serena pra uma conversa.

(22.1) _ Ao amanhecer...

Jonas: _ Você não devia ter ido até lá. Eu te disse várias vezes. Tem dias que a gente perde.
Duda: _ Ele me tirou tudo. Ele era meu chão.
Jonas: _ Você não pode se deixar abater.
Duda: _ Eu perdi. Perdi minha Ludmilla. _

Duda abraça o pai, que tenta consolar o filho. Mas as lágrimas não param de cair. Assim como essa dor insiste em não passar. Jonas fecha aporta do escritório. Os dois ficam lá ouvindo “Sometimes you can’t make all your oun” do U2.

Letra de Sometimes –

“Ei teimoso, você pensa que sabe mesmo das coisas, né
Dizendo pra mim mesmo e pra você que você é durão.
Você não precisa provocar uma briga
Nem precisa estar sempre certo.
Deixe que eu leve alguns socos por você esta noite.
Então me ouça agora. Eu preciso que você saiba
Que você não está sozinho.
Nós brigamos, as vezes, Você e Eu
Mas tudo bem
Nós somos a mesma alma.
Eu não preciso. Não preciso ouvir você dizer
Que se não fôssemos tão parecidos você me amaria muito mais.
E é você quando eu me olho no espelho
Sempre é você quando eu atendo o telefone
As vezes você não consegue fazer tudo do seu jeito.
Parecidos somos nos erros e nos acertos
Não pense em nossos erros
Eu penso em como me pareço com você.
Por isso talvez, precisamos um do outro
Eu não preciso. Não preciso ouvir você dizer
Que se não fôssemos assim tão parecidos você me amaria muito mais. “

Jonas e Duda abraçados
Natan e Chris sorridentes
Ethan e Olivier comemoram a vitória
Bill e Clara: uma união na dor.
E o Duke apenas chora.
Todos conectados numa mesma estrada.
Aprendi gentileza com os rudes.
A raiva é um vento que apaga a luz do raciocínio.
Não preciso mais pensar no amanhã. Lee chega rápido demais.
O futuro... incerto.
Destino é uma coisa que as pessoas usam pra justificar os fracassos.
Só posso ser maior do que ele se for um vencedor.
E só é poderoso quem conseguiu vencer a si mesmo.

Esse sou eu, Duda
Eduardo Klein,
Na estrada

(ESTE EPISÓDIO É UMA HOMENAGEM AO MEU PAI)
L.C.M

Episódio 21 - A solidão é um deserto que povoamos a nosso gosto

Episódio 21 – “ A solidão é um deserto que povoamos a nosso gosto “

Razão. Na vida podemos perder tudo, mas jamais perdermos o propósito, a razão.
Uma vida sem objetivos é uma vida vazia. Às vezes as coisas da vida pra qual damos mais importância funciona como combustível. Se por algum motivo isso é retirado de nós, alguma coisa dentro do peito se apaga.

___ Em algum lugar de Chicago ___

Duda: _ Alô, pai? Sou eu, Duda.
Jonas: _ Pronto, pode falar filho. Algum problema?
Duda: _ Todos. Todos os problemas pai. A Helen sumiu. O carro dela foi achado ao lado do autódromo. Estou preocupado com o Duke. Você pode falar com ele, pai?
Jonas: _ Posso sim. Mas não foi por isso que você ligou, foi?
Duda: _ Na verdade, não. Natan Roman estava com ela hoje. Na arquibancada. E o filho dele veio pra cima de mim na pista. E agora o Tornado só tem uma porta.
Jonas: _ espere um pouco. Se entendi direito, agora você está falando sobre a Ludmilla. E Natan e Chris estão brincando com você.
Duda: _ É exatamente isso. Mas como...?
Jonas: _ O Bill me ligou a poucos minutos. E o Duke está aqui. Quer falar com você.
Duda: _ Entendi. Chego aí em 10 minutos. Até logo. _

Poucos minutos e ele já está na garagem da sua casa, ouvindo seu grande amigo Duke, desabafar.

Duke: _ Minha cabeça... Ainda não consigo acreditar.
Duda: _ Fica frio. Vamos resolver isso.
Duke: _ Você sabe que não é assim tão fácil. Talvez eu nunca mais a veja.
Duda: _ Hei cara, você não está sozinho. Eu to com você. As coisas vão se acertar.
Duke: _ Você já teve um pressentimento ruim? Umas daquelas sensações terríveis? Eu tive várias, há alguns dias. E todas tinham a ver com este dia.
Duda: _ Você sempre foi assim. Eu me lembro.
Duke: _ Se lembra também que eu nunca me enganei, não é? Alguma coisa ruim aconteceu ou vai acontecer. Eu seu que perdi algo. Agora sou apenas eu. A solidão é um deserto.
Duda: _ A solidão é um deserto que povoamos a nosso gosto.
Duke: _ Agora dói bem mais do que eu pensei. E é assim porque sonhei demais. Hoje sei bem que meu medo não era em vão. Nunca mais vou duvidar das minhas intuições. Um dia vai passar, mas eu sempre levanto depois da queda. Já me acostumei a cair.
Duda: _ Vamos resolver tudo isso. Juntos.
Duke: _ Tudo que eu queria era olhar naqueles olhos lindos e mergulhar neles. Então poder vê-la sorrir fere o meu “sentir”. O que fazer pra esconder nos meus pensamentos deixa qualquer um ver a cada segundo?_

O fiel escudeiro de nosso herói não resiste à pressão desse momento e começa a chorar. Logo é amparado por seu irmão, Duda.

Duke: _ eu tinha medo que isso desse errado, mas deixei me levar por sonhos tolos. Por alguns momentos cheguei a pensar que eu poderia ser feliz. O Destino zomba de mim. Eu sei que certos sonhos ficam pelo caminho...
Duda: _ Hei Duke. Levanta a cabeça. Estar triste é temporário. Sempre haverá uma primavera para cada deserto. Com flores belas e azuis. A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo. E nós estaremos juntos nisso. _

___ Olivier Durgen e Ethan Hawk ___

Olivier: _ Chegou a hora. É a sua deixa.
Ethan: _ Eu sei bem disso.Mas e quanto a ela?
Olivier: _ Cuidaremos disso depois.
Ethan: _ Não vou deixar que nada nos atrapalhe, mas preciso saber se ela está bem. Gosto dela, nem sei por que mas gosto dela.
Olivier: _ Tudo bem, então vamos falar com o Natan. Depois você vai direto pras Docas.
Ethan: _ Certo. Assim está bem.

___ Chris e Ludmilla na mansão dos Roman___

Chris: _ Gostou? Eu venci!
Ludmilla: _ Você sabe que podia ter causado um grande acidente?
Chris: _ Aquele imbecil sempre foge de mim. Ele amassou meu carro, mas amanhã tudo já estará perfeito.
Ludmilla: _ Você podia ter morrido.
Chris: _ Eu sei, mas estou aqui. Você sabe que eu nem pensei nisso. Sou mais forte e feroz; e veloz que ele. Quando a gente finalmente se enfrentar, será o fim... Inevitavelmente.
Ludmilla: _ Vocês vão acabar se matando. Você quer isso?
Chris: _ Não. Eu quero casar com você. Case-se comigo. Faça isso e eu largo tudo. Deixo o Duda pra lá. Seremos só você e eu.
Ludmilla: _ Não é tão simples assim, Chris.
Chris: _ Você não quer porque ainda ama aquele idiota. É isso?
Ludmilla: _ Não é isso.
Chris: _ Então me ama? Diz que me ama!
Ludmilla: _ As cosas não são bem assim._

Ele fica nervoso e começa a quebrar as coisas, perdendo totalmente o controle.

Chris: _ Se você me amasse, diria “SIM”. Você está comigo pra proteger aquele idiota. É isso? Responda! _

Assustada e acuada ela responde:
Ludmilla: _ Eu te amo. Eu caso com você. Eu caso. _

O olhar desesperado de Chris desaparece. E ele volta logo a agir suavemente, como em outros tempos. Ele a abraça, emocionado. Natan Roman desce as escadas e recebe a notícia, com a qual fica muito feliz. Ludmilla sorri, mas nos pensamentos ela sabe que é um passo sem volta. Ela acabou de fazer uma escolha, da qual pode se arrepender pra sempre.
Chris vai até o cofre buscar as alianças que um dia pertenceram a seus avós.
Sobre olhar atento de Natan, eles trocaram alianças e fizeram um brinde. Longe dali um outro coração desavisado ainda suspira por Ludmilla...
Duda realmente tem muito que perguntar ao Destino , quando um dia se encontrarem.

___ Na casa do Bill ___

Clara: _ Eles estão chegando. Você ligou pro Havoc?
Bill: _ Sim, mas até agora nada. Você conversou com o Duda?
Clara: _ Ainda não. Primeiro vamos resolver o problema da Helen. Depois que vocês conversarem eu vou falar com ele. Vou dizer tudo que quero dizer. E será hoje. _

O interfone avisa que eles chegaram. No carro estão Duke, Duda e Jonas Klein. As conversas a seguir darão forma aos pensamentos dos envolvidos nessa trama alucinante. E parece que Bill foi pego de surpresa com a presença de Jonas.

Bill: _ Você aqui?
Jonas: _ Lembra de mim, Jubile?
Bill: _ Sim, Jonas. Me dê apenas alguns minutos: Garotos, nos deixem a sós por um tempo. Duke, o Shyo está no escritório vendo as conexões que o Havoc passou pra ajudar na busca pela Helen. Vá ajudá-lo.
Duke: _ Tudo bem, Bill. Você está legal?
Bill: _ Sim. Eu ficarei bem. Agora vá por favor. _ E quanto a você, Duda, a Clara tem algo pra te dizer. Ouça e entenda bem o que ela tem a dizer, pois isso mudará a sua vida.
Duda:_ Pode deixar Bill. E nós vamos achar a Helen.
Bill: _ Eu sei, garoto, mas suma daqui.
Jonas: _ Isso mesmo. Vá falar com sua namorada. Ela está lhe esperando._

Clara apenas observa atentamente. Duda segura na mão dela e eles vão ao terraço. Uma linda noite, com um céu detalhadamente decorado de estrelas foi testemunha de uma conversa sem voltas. Sem meias palavras. Sem insinuações. Hoje aqui, apenas os fatos, as verdades. _

Clara: _ Meu gato, antes de qualquer coisa me beija. _

Foi assim que começou a conversa. Mas logo as grandes questões vieram a tona. Perguntas difíceis. Respostas difíceis.

(21.1) Quando um não quer, dois não brigam.

Duda: _ Como você está? Esperamos tanto por essa conversa.
Clara: _ Eu sei. Minha cabeça está girando muito.
Duda: _ Você podia me dizer por que foi falar com o Chris?
Clara: _ Posso sim, mas depois que eu lhe disser algumas coisas.
Duda: _ Então diga.
Clara: _ Tudo bem... Quando alguém te abraçar, não seja você o primeiro a soltar os braços.
Duda: _ Do que você está falando?
Clara: _ Apenas me escute, gato. Sei que não sou o melhor que você pode ter e é por isso que peço nada. Estou alguém que pensa demais no alguém que não sou e esquece de quem está em mim. Sou o bastante pra mim, ou era antes, até que encontrei você e esqueci de me ver. Sou quem perde mais, pelo menos é o que eu acho. E o difícil é tentar me convencer de que estou errado. Estou muito longe de mim, já não arrumo meus livros. Apenas peço pra canção tocar mais alto. Sou quem pensa mais em coisas sem sentido, pois é assim que penso “ FICA COMIGO”. Não está sendo fácil pra mim.
Duda: _ Você não pode estar falando sério. Não consigo entender porque você está assim. Por que agora?
Clara: _ Porque as coisas acontecem ao seu tempo. Sempre assim. Eu vou embora antes da chuva por que eu já estou molhado há muito tempo. E Tempo não passa pra mim como passa pra você. As estradas ficam perigosas e já é um problema eu ter de ir pra casa sempre sozinha. Eu devo ir antes de mudar de idéia.
Duda: _ Você está terminando comigo?
Clara: _ Não eu. Tudo está terminado há um tempo, só nós não vimos. Ela fez isso. Você a pôs entre nós. Como o Bill disse que faria.
Duda: _ Mas eu quero ficar com você.
Clara: _ Não quer não. É a ela que você ama. Sempre amou. Eu sempre fui uma mentira. Mas caí em meu próprio truque.
Duda: _ Como assim, seu truque? Do que você está falando?
Clara: _ Eu amo você, Duda. Isso é o que importa. Mas quando você me salvou do Olivier, o Bill sacou que rolou alguma coisa... um clima entre nós dois. Então ele me pediu que cuidasse de você, estivesse por perto. Pra saber dos seus passos.
Duda: _ Você fingiu. Era tudo mentira?
Clara: _ No início era, mas eu me apaixonei. Mais que isso, eu comecei a amar você e então esse sentimento se tornou maior que qualquer plano do Bill. Eu tinha decidido de te contar tudo após a sua corrida e lutar por você, por seu perdão e seu amor. Mas agora, depois do que você fez na pista, por causa dela, eu decidi sair de cena. Vou até Seatle fazer uma coisa pro Bill. Logo depois da 1ª bateria de provas de amanhã. Vou me embora antes de você chegar.
Duda: _ Não há um meio de você ficar. Quero provar pra você...
Clara: _ Pára com isso Duda. Você não vai provar nada. E eu não quero esperar que seja incrível e ver o ser que há em você perfurar meu peito. Porque eu prenderia meu ar só pra ficar aqui, caminharia de olhos vendados a beira do precipício, desafiaria os deuses; só pra ficar aqui e pedir à pessoa que há em que “FIQUE EM MIM”. Mas não surtiria efeito. Dentro de você existe um nome, que também está escrito na sua estrada: Ludmilla. Só com ela você vai encontrar o que não encontrou em nenhuma das estradas onde você correu.
Duda: _ Clara, minha rainha de olhos azuis. Me desculpe. Eu não sabia que estava sendo tão duro pra você.
Clara: _ Não se desculpe. Nós invadimos sua vida. Por nossa causa tudo está assim. Tudo foi dito aqui. Mas eu tenho duas coisas a te pedir. Mantenha distância de Chris Roman. Ele vai matar você! Ele é louco.
Duda: _ Vou fazer o possível. Vou tentar. E qual o seu outro pedido?
Clara: _ Me abrace forte.
Duda: _ Eu sempre vou estar aqui.
Clara: _ eu sei, Duda. Eu te amo. Você é o homem mais especial que eu conheci. O meu homem...
Duda: _ Eu não vou soltar os braços desta vez.
Clara: _ Nem eu, Gato. Nem eu... _

Os dois ficam ali abraçados. O tempo não importa. Os sonhos perderam a cor. De olhos fechados eles lembram de tudo que passaram juntos na mesma estrada.

(21.2) Cartas na mesa – eu tenho um Royal flash!

___ Jonas Klein e Bill Pierce ___

Bill: _ E então Jonas. O que você faz aqui?
Jonas: _ Eu sei sobre a Helen. Sei de Tudo. Sei porque você voltou aqui depois de 20 anos. E não vou deixar meu filho mo meio disso tudo.
Bill: _Se acalme, Jonas. Você não sabe de nada. Não sabe o que está dizendo.
Jonas: _ O dinheiro do seu pai. O conjunto de títulos do governo dos EUA. 256 títulos ao todo. Cada um deles é referente à uma grande cidade dos EUA. Cada um daqueles títulos vale cerca de 19,5 milhões de dólares. Os títulos originalmente deveriam estar sobre os cuidados do Serviço Secreto, mas há 25 anos atrás eles foram roubados e o agente responsável pela segurança deles foi julgado como traidor desse país. Ele foi preso sob a pena de 45 anos de regime fechado. Foi vítima de uma armação de outro membro do governo, chamado Scott Roman. Pai de Natan Roman. O agente preso foi morto na prisão, antes de poder provar sua inocência. Como o caso foi tratado em segredo e julgado da mesma forma, a morte do agente caiu no esquecimento. Mas o nome dele nós dois sabemos muito bem: Johnny Pierce. Seu pai. _

Com os olhos lacrimejados, Bill apenas confirmou com a cabeça. Emocionado, manteve o silêncio. Jonas Klein se aproximou, colocando as mãos sobre os ombros de Bill, que logo se pôs a falar._

Bill: _ Armaram pra ele. Scott Roman e outros sacanas do governo. Há 20 anos atrás, eu estava quase colocando as mãos nele, mas ele morreu antes que eu pudesse pegá-lo. Precisei de mais 20 anos pra conseguir chegar aqui. Passei esses anos correndo pelo mundo inteiro. Colocando meu carro nas ruas e apostando alto, até que juntei grana o bastante pra negociar com burocratas de Washington e os negociantes do submundo do crime.
Jonas:_ Como assim?
Bill: _ Depois que foram roubados os títulos foram vendidos pra vários compradores diferentes. Com esses títulos é possível ser dono de quase metade deste país. São títulos de posse de terras da época da revolução. Alguns valem 200 milhões de dólares, cada. Ao longo dos anos o pai da Clara,(LEON) e eu conseguimos juntar 20 desses títulos. Olivier Durgen, o francês, 116 desses títulos. Natan Roman possui 70 deles. Tínhamos um plano pra pegar os títulos de volta, mas Leon foi morto dentro do seu carro. Desde este dia eu cuido da Clara.
Jonas: _ Onde o desafio entra nessa história?
Bill: _ Grupos extremistas ofereceram uma boa grana pelos títulos. Eles estão dispostos a pagar 50 milhões de dólares por cada um dos títulos mais simples. Olivier e Jonas agora querem vender seus títulos porque isso se tornou lucrativo pra eles.
Jonas: _ Por que agora?
Bill: _ Os canalhas vão concorrer ao senado. Precisam de dinheiro pra negociar suas candidaturas. Além disso os Extremistas estão por trás das apostas. O desafio é transmitido pro mundo todo. As apostas são feitas pela rede. Tudo comandado por ele. O grande trunfo são os Títulos da Suprema Carta. São 40. Eu tenho8. Roman 20. Olivier tem os 12 restantes. Mas os sacanas só vão tocar de quem vencer o desafio.
Jonas: _ Por esses e outros motivos eu não posso deixar o Duda metido nisso.
Bill: _ Agora é tarde. Ele já está tão nisso quanto eu. O olivier e Natan farão qualquer coisa pra terem domínio sobre o Duda. Ou você duvida que ele faria qualquer coisa por Ludmilla Connors?
Jonas: _ No dia da final. O que vai acontecer?
Bill: _ O percurso final do desafio é um belo Sprint. Ele é o mais rápido do desafio. A chegada é no portão 2 do circuito. Mas o verdadeiro embate começa depois que cruzar a linha de chegada. Duda, Duke, Chris e Ethan estarão carregando em seus carros os títulos que serão vendidos. Olivier, Natan e eu estaremos nas docas. Os carros tem cofres nas malas. Quem chegar primeiro fecha o negócio. E depois tudo fica resolvido.
Jonas: _ E meu filho poderá ir pra casa?
Bill: _ Se eu der sorte, vou pegar todos eles. O FBI prometeu enviar um agente aqui, mas até agora nada.
Jonas: _ Eu tenho um contato no FBI. Posso te ajudar.
Bill: _ É confiável?
Jonas: _ Totalmente. Mas mudando de assunto? Como está o caso da Helen?
Bill: _ Procurei uns amigos meus. Os mesmos que encontraram as pistas da Clara quando o Olivier a raptou. Me confirmaram que sou pai dela. A mãe não foi encontrada. Parece que mora no Canadá agora, mas não tem contato com a Helen.
Jonas: _ E ela não te procurou todos estes anos?
Bill:_ A Helen não sabia de nada. A mãe jamais disse a ela quem eu era. Pensou que eu estivesse morto, depois que viu a noticia do acidente no dia da morte de Scott Roman. Meu carro pegou fogo naquela noite?
Jonas: _ Na noite em que Scott Roman morreu?
Bill: _ Sim. 18 de abril de 1979. O carro pegou fogo, mas meu irmão estava pilotando naquela noite. Eu estava em outro lugar.
Jonas: _ Eu sei bem onde você estava. Estávamos correndo. Eu te venci.
Bill: _ Não venceu não.
Jonas: _ Eu sei. Estou apenas brincando. Vou trazer Serena Brooke aqui. Ela vai te ajudar. Agora vou levar meus meninos embora.
Bill: _ Preciso falar com eles ainda.
Jonas: _ Eles já ouviram o bastante Bill. Os três, Duda, Duke e Clara. Boa noite pra você.
Bill: _ Tudo bem garotos, vocês estavam aí todo o tempo.
Duda: _ Ei Bill, relaxa. Deixa eu te dar um abraço. Vou fazer o que tenho que fazer.
Duke: _ E eu vou trzar ela de volta.
Bill: _ Obrigado.
Jonas: _ Bill, preciso de um favor seu.
Bill: _ Diga Jonas.
Jonas: _ Quero os códigos do GPS dos carros dos garotos.
Bill: _ Por que isso, Jonas?
Jonas: _ Nós temos um plano, bolado pelos garotos, mas precisamos dos GPS livres.
Bill: _ Tudo bem, Jonny!
Jonas: _ Perfeito. Vamos meninos. Tchau Clara. Você devia fazer uma visita a Diana. Até mais.
Clara: _ Vou até lá um dia desses._

Quando chegaram ao carro, Jonas e Duke olharam fixamente para Duda e ele logo percebeu tudo.

Duda: _ Vocês estão olhando o que?
Duke: _ Seus olhos, estão vermelhos? Você estava chorando. Vocês dois, melhor dizendo. Porque ela também estava assim. Diga logo o que houve.
Duda: _ Nós terminamos. Mas estamos bem. E você e o Bill, conseguiram conversar.
Jonas: _ Com certeza, no caminho te conto. Vocês precisam ouvir o que tenho a dizer. E hoje vocês conhecerão Serena Brooke.
Duke: _ Quem é essa, Sr. Klein?
Jonas: _ Uma esperança... de consertar as coisas.


___ Olivier e Ethan ___

Olivier: _ Vamos a casa de Natan Roman. Vou ajudar você a encontra-la
Ethan: _ Sabe onde ela está?
Olivier: _ Tenho um bom plapite. Se o Natan se interessar pelo o que tenho, pode ser que a gente tenha algum sucesso.
Ethan: _ Então vamos lá._

Foram até a casa dos Roman, mas essa negociação não será assim tão fácil.

Natan: _ Olá, francês. A que eu devo a honra da sua visita.
Olivier: _ Meu piloto, Ethan, deseja falar com Helen Suay.
Natan: _ Não entendi. O que eu tenho a ver com isso? Você está insinuando que eu tenha algo a ver com o desaparecimento repentino dessa moça, Helen?
Olivier: _ Você não precisa ser irônico. Nem devemos seguir nesta linha de raciocínio. Eu sei que você está com ela, tenho isso gravado em vídeo com uma qualidade incrível. Mas isso não vem ao caso. Eu não quero levá-la embora, apenas preciso que ele a veja.
Natan: _ E o que eu ganharia com isso?
Ethan: _ Que tal se eu quebrasse a sua cara, só pra começar e depois fosse até a polícia com o vídeo que nós temos..
Olivier: _ Quieto Ethan. Eu não gosto de negociar deste jeito. Não é necessário também. Eu digo o seguinte, Natan. Você vai atender ao meu pedido porque uma aliança a esta altura seria muito favorável pra ambas as partes. Eu posso lhe ajudar a dar conta do Bill.
Natan: _ Você é um bom negociador. Um bom jogador.
Olivier: _ É hora de pôr as cartas na mesa. E eu tenho um Royal Flash. (risos)

___ Residência dos Connors ___

Ludmilla: _ Pai. Se o Chris me ligar, diga que estou no banho.
Pai ( Peter Connors ): _ Vocês vão mesmo se casar?
Ludmilla: _ Vamos sim.
Peter: _ Mas você não parece estar tão feliz com isso. Está nervosa? Talvez não seja a hora ainda.
Ludmilla: _ Vou fazer isso pai. É a hora certa. É o que devo fazer.
Peter: _ Mas e o Duda. O que ele disse sobre isso. Ele já sabe ?
Ludmilla: _ Ele não sabe. Não sei como contar. _

A campainha toca. Peter Connors vê pelo olho mágico.

Peter: _ Não conte nada. Você deve esquecê-lo. O Chris chegou!
Ludmilla: _ Deixe ele entrar. Vou subir pra tomar banho.
Peter: _ Tudo bem. _

Pouco depois...

Peter: _ Entre rapaz. Sente-se aí. Ela está no banho.
Chris: _ Tudo bem, senhor. Como vão as coisas?
Peter: _ vão bem rapaz. Seu pai me ligou pra marcar um jantar pra que ele apresente-nos a sua família e você faça o pedido formal. Diga a ele que mandarei a resposta sobre o melhor dia para esse jantar.
Chris: _ Fico feliz que o senhor pense assim. Sei que não irá se arrepender.
Peter: _ Apenas penso no futuro dela. Afinal de contas o que aqueles Klein poderiam oferecer a ela?
Chris: _ Sábias palavras, senhor. _

(21.3) O que sobrou?

___ Na casa do Bill ___

Bill: _ Você não disse uma palavra até agora.
Clara: _ E o que você queria que eu dissesse? “Nossa! Como estou feliz. Radiante! Acabei de mandar o homem da minha vida embora, mas estou feliz.
Bill: _ Sem ironia, Clara. Sabe que não foi o que eu quis dizer. Apenas me preocupo com você. Você sabia que seria assim. Sempre soube. Nunca te enganei, deixei bem claro que era tudo um grande jogo. Mas você se deixou levar...
Clara: _ É Bill. Eu caí no jogo que eu armei. E graças a isso eu a perdi.
Bill: _ Ele é só um garoto.
Clara: _ Não Bill. Não é um garoto. É o meu homem e eu mandei ele embora.
Bill: _ Desculpe menina. Eu sou o culpado.
Clara: _ Nós somos. Nós... mas ficarei bem com o que sobrou.
Bill: _ O que sobrou?
Clara: _ O cheiro dele na minha pele e o gosto do beijo dele... que recebi há pouco._

___ E na casa dos Klein ___

Duke: _ Senhor Klein, a sua amiga, a tal de Brooke já deve estar chegando, né?
Jonas: _ Sim. Vamos comer alguma coisa. Esta noite está ficando longa demais. Já são quase 3 da manhã. Ela vai chegar... _

A mãe de Duda entra na sala

Diana: _ Duda, querido, preciso falar com você. É importante. Venha até aqui. E você, Duke, vá até a cozinha com o Jonas. Você deve estar faminto.
Duke: _ Tudo bem, dona Diana.
Duda: _ Vamos mãe.
Diana: _ Vá indo na frente, filho. Vou dar um abraço no seu pai.
Jonas: _ Tudo bem querida? Está com uma aparência tensa?
Diana: _ Tudo bem. Preciso falar com o Duda. Depois falo com você. Não deixe ninguém ir ao escritório. Quero falar com ele a sós. Até daqui a pouco. Já no escritório da casa dos Klein. Diana é vai direto ao ponto.

Diana: _ Meu filho, essa é a hora pra você pular fora disso tudo.
Duda: _ Você sabe que não posso. Seria muito arriscado.
Diana: _ Você precisa sair disso. Não deixe que o momento passe. Seu pai me contou sobre o Bill e a Clara.
Duda: _ É mãe. A Clara e eu, acabou tudo.
Diana: _ Você não tinha como saber que ia dar errado. Somente a Clara podia te tirar disso. Mas o Bill não contava com a Ludmilla. Como o envolvimento de vocês não acabou, parecia inevitável que um dos dois lados saísse de cena. Então a Clara decidiu sair da briga. Ela fez o Bill mudar de idéia. Ele entendeu o amor que ela tem por você. Aquela mulher ama tanto você que decidiu deixar você ser feliz com a pessoa que você realmente ama. E eu sei do que estou falando.
Duda: _ Foi uma das coisas mais estranhas que eu já vi. Ela me ama e me mandou ir embora. Disse que não iria disputar mais o meu amor com Ludmilla. Agora eu vou tirar ela da Chris. Vou trazê-la de volta.
Diana: _ Não. Você não vai não. Esqueça Ludmilla.
Duda: _ Você está dizendo o quê?
Diana: _ Você não vai atrás dela. Não mais.
Duda : _ Mas você não vai me impedir de ir atrás dela.
Diana: _ Calado! Você não sabe o que diz.
Duda: _ Mas mãe...
Diana: _ Ludmilla Connors e Chris Roman vão se casar. Ele pediu e ela aceitou.
Duda: _ O quê. Mas como...?
Diana: _ Isso mesmo que você ouviu. Eles vão se casar. Perdemos, nós perdemos.
Duda: _ Como você sabe disso?
Diana: _ Natan me contou...Perdemos. Não sobrou nada. _

* Horas antes, na casa de Natan Roman *

Nata: _ Olá Diana. Que surpresa.
Diana: _ Sem rodeios, Natan. Eu vim até aqui pra falar sobre meu filho.
Natan: _ Fique a vontade. Faz tempo, desde a última vez que te vi. Fico honrado por ter me procurado, mas não posso esconder a minha surpresa.
Diana: _ Pára com isso, Natan. Você sabe porque eu vim até aqui. E sabe que não vou sair daqui sem o que quero.
Natan: _ Eu jamais esqueci esse seu jeito decidido. Sua postura de “tudo posso”. Isso sempre me encantou. Eu ficarei feliz se voc~e estiver feliz. Era assim que dizíamos um ao outro. Se lembra?
Diana: _ Não. Não me lembro. Já faz tempo demais. Parece que nunca aconteceu. Nunca.
Natan: _ Mas aconteceu. E intensamente._

Ele, escorregadio, se põe atrás de Diana; segurando os ombros dela sussurra coisas de um passado comum.

Natan: _ Isso você não poderá tirar de mim. Ninguém poderá. Nem o Jonas, que me tirou você. Nem mesmo ele pode tirar de mim as lembranças que eu guardo. Das noites que passamos juntos. Dos sonhos e das promessas: As cumpridas e as esquecidas.
Diana: _ Pare Natan. _

Ela se levanta. Os olhos querem “rugir”. Como os olhos de uma leoa protegendo a cria.

Diana: _ Quero que você deixe o Duda em paz. Sei do que você é capaz pra conseguir algo. Não quero isso pro meu filho. _

Irritado, Natan responde imediatamente.

Natan: _ Tire-o do desafio. Nada acontecerá com ele. Te prometo. Sabe bem que eu cumpro minhas promessas...
Diana: _ Droga “Nate”. Você vai continuar com isso até quando? Sempre lembrando de algo que não existe mais. Sabe que acabou.
Natan: _ Em você Diana. Dentro de você acabou. Não em mim. Há vinte anos eu carrego essa dor que nunca passa, uma ferida aberta aqui dentro. Aqui em mim existe o mesmo amor de sempre. Você sabe.
Diana: _ Mas Jonas e Eu...
Natan: _ Eu o deixei viver. Deixei que ele levasse você. Ele tomou você de mim. Mas deixei ele ir. Como te prometi. Jonas Klein me tirou você. E eu o deixei ir...
Diana: _ E eu te agradeço por isso.
Natan: _ Não é correto se agradecer por alguém te amar. E eu te amo. Sempre amei. Agora o destino vem nos visitar.
Diana: _ Nate! Por favor. _

Natan Roman começa a chorar. Diana o abraça e ele desmorona. Por instantes não é possível lembrar que aquele homem é o mesmo Natan Roman que conhecemos. Mas ele se recompões e volta a ser o homem frio de sempre.

Natan: _ Vá embora. Seu marido deve estar lhe esperando.
Diana: _ Mas “Nate”.
Natan: _ Meu nome é Natan. Quanto à seu filho. Tire-o do desafio. Do contrário, não posso ajudar.
Diana: _ Tudo bem Natan, será assim.
Natan: _ Eu vou pedir ao segurança que te leve até a porta.
Diana: _ Eu sei o caminho. Até mais, Nate.
Natan: _ Adeus, Diana. Adeus! _

Quando Diana passa pela porta, algo dentro de Natan se quebra. Espedaça. Como se ele guardasse um cristal com o rosto de sua amada dentro do peito. Algo se quebrou. De novo. _

___ De volta a residência dos Klein ___
A conversa entre Duda e Diana prossegue...

Diana: _ Tudo que lhe digo sobre esse casamento é verdade. E isso não é um jogo.
Duda: _ Como pode ser?
Diana: _ Não faz diferença. Agora você está fora disso.
Duda: _ Não. Eu vou atrás dela e vou surrar ele até que me diga que isso não vai acontecer. Eu não posso perder. Não vou perder (Duda enxuga a lágrima do rosto)
Diana: _ Vem cá meu filho. Me dê um abraço
Duda: _ Mãe. O que eu fiz pra merecer isso?
Diana: _ Você desafiou o Destino. Pode vencê-lo, mas não há como sair dessa luta sem feridas.
Duda: _ Não vou perder, mãe. Vou lutar até o fim.
Diana: _ As vezes é preciso recuar pra atacar.
Duda: _ Não dessa vez. Eu vou até o fim.
Diana: _ Se agir dessa forma, será derrotado.
Duda: _ Pois que assim seja. De alguma coisa me servirá.
Diana: _ Filho! Você sabe o que está falando.
Duda: _ Sei sim, mãe. As flores perfumam até mesmo a mão que as esmagam. Serei o vencedor. Aconteça o que acontecer. E começarei agora mesmo.
Diana: _ Ei Duda, onde você vai.
Duda: _ Vou olhar nos olhos dele. Quero que ele veja nos meus que eu não vou desistir. _

A solidão é um deserto que povoamos a nosso gosto.
Eu odeio os desertos. Gosto de flores. E jardins.
Senhor Destino. Me aguarde.
Estou acelerando firme. Um dia desses te encontro.

Esse sou Eu, Duda
Eduardo Klein,
Na Estrada.