
Na Estrada
Episódio 25 - Por onde seu olhos me guiavam... ( Minha Estrada ) - Lado B
No momento das decisões difíceis, quando as respostas encontradas não satisfazem às expectativas, não há caminho certo a escolher, nem tranquilo.
O ponto de partida para as grandes mudanças em nossas vidas partem sempre de uma atitude simples.
Nunca fui de conter minhas atitudes. Mas dessa vez o faço com maestria.
Não posso conceber este momento, nem hesitar. Não posso me permitir passar por isso... não outra vez.
Passei muito tempo tentando descobrir qual era a minha verdadeira motivação pra tudo isso. Chegando à conclusão de que os motivos estavam sempre se perdendo em meio a brigas, disputas e confusões.
Fazia da dificuldade da situação um pilar pra me agarrar à um bom motivo pelo qual perseguir meus sonhos.
E tudo se resumia à um único momento. Aquele em que estávamos juntos.
Meu verdadeiro caminho, ali, diante dos meus olhos. Palpável. Fascinante.
Estar envolvido por sua presença tornava as coisas mais simples. Embora minha vida jamais tenha sido simples desde o dia em que nos vimos pela primeira vez.
E foi quando você fez o que seu destino dizia a você pra fazer. Você me deixou entrar, por uma porta que eu jamais deveria ter cruzado. Algo que me tornou o errado da situação... o injusto.
Na equação do triângulo amoroso formado por nós três, Você( Ludmilla) Chris e Eu, algo me parece bem claro agora. E antes eu não conseguia ver dessa maneira. Eu achava que as coisas seriam tranquilas. Mas Você e Chris eram as constantes. Eu a variável.
Eu não sabia o porquê, mas andava pelos caminhos que o amor me dizia.
Por onde seus olhos me guiavam. Minha estrada começava a tomar forma com você ao meu lado.
Não importa o que fosse acontecer depois, eu estava pronto pra correr pra você e por você.
Mas hoje tudo é tão diferente... Por onde seus olhos me guiavam, já não há mais luz.
Ainda que nunca mais haja luz por aqui, nessa cidade de clima ensolarado, agora cinzenta demais, eu acredito que tudo o que passamos era exatamente o que estava guardado pra nós. Eu e você, e nosso destino. O que nos permitimos viver.
Sabendo que ao final do dia fecharia meus olhos e encontraria você logo no dia seguinte, tive noites longas demais.
No entanto, ainda que meus olhos se fechem no final deste dia e jamais tornem a abrir, sei que de um certo modo nada se perdeu. A vida perdeu. Não foi culpa minha ou sua. Apenas não deu.
Agora brinco de dizer que moro num lugar onde o Sol não brilha nunca, embora não seja verdade... embora tenha sido verdade por um tempo, apenas dentro de mim.
Não há razões pra procurar por você. Digo isso porque você jamais irá a lugar algum em que meu pensamento não esteja. No entanto não posso permitir que meu coração vá com você. Não mais. Pela minha cabeça não passa nenhum tipo de pesar por não ter sido como eu sonhava... acho que eu sonhei demais e esqueci de viver.
Talvez o grande culpado por tudo isso seja eu mesmo.
Por onde seus olhos me guiavam, meus pés já não me deixam andar. E meus olhos não seguem o reflexo dos teus como antes.
E acredite quando digo que não culpo você, nem ninguém por não sermos hoje o que sonhei que seríamos um dia. A vida perdeu. O destino ganhou.
Talvez você, minha Ludmilla, seja meu verdadeiro amor... aquele sem o qual minha existência não teria sentido. Mas a Clara é o meu Yang... Meu caminho. A estrada que eu sempre procurei, a que eu acreditava que me levaria ao meu verdadeiro lugar, está colada nos passos dela. E nem ela nem ninguém precisou me mostrar isso. Eu pude ver com meus próprios olhos. Os mesmos que viam anjos em volta de você.
Por onde seus olhos me guiavam era lindo...
Mesmo que este mesmo caminho, possa me levar hoje a fechar os olhos pra sempre... Eu jamais escolheria estar em outro lugar. Não eu, Duda Klein. O que devo dizer a você é que Te amo. E sempre será assim. Primavera em mim.
Mas jamais será, outra vez, nosso jardim secreto...
Ela, minha Rainha Clara... é exatamente o que eu preciso. Sem você viveria sofrendo, inconformado.
Mas sem ela, não há vida, nem luz, nem Sol. Nem jardim.
Por onde seus olhos me guiavam eu via um caminho.. sem saber onde daria ao certo e agora que sei, agradeço a você por isso. Por me levar a ela. Não culpo a você, nem a ninguém. A vida perdeu. O destino ganhou.
E não chore nem sequer por um minuto quando eu partir.
Você será muito feliz, nos braços de outro alguém, alguém que se impôs a nós. Que soube batalhar por tudo o que quis.
Não culpo a você nem a ninguém por isso. Você era o destino dele, assim como achei que fosse o meu.
Por onde seus olhos me guiavam eu via uma razão pra lutar com Chris Roman seja lá pelo que fosse, sempre culpando-o por amar você.
E ainda que provavelmente apenas um de nós dois volte daquela pista hoje, mesmo que meus olhos se fechem definitivamente. Não vou brigar com o destino. Nem com o seu, nem com o de Chris...
A vida perdeu. O destino ganhou.
E você e eu passamos.
Esse sou eu, Duda.
Eduardo Klein,
Na Estrada.